segunda-feira, 8 de janeiro de 2007

O ACP cobrou as quotas

A plúmbea cúpula que abobadava o Dragão pronunciava uma tarde sinistra para o Campeão Nacional. Em rescaldo de festas, tocou ao FC Porto o papel de bombo, humilhado em seu reduto pelo humilde, mas histórico, Atlético Clube de Portugal, militante do 3º escalão do futebol português.





Jesualdo pedira respeito pelo oponente, mas colocou em campo apenas quatro titulares; a equipa foi incumbida da vitória, concedendo, porém, quarenta e cinco minutos de amorfa impotência ao adversário. Razões suficientes para que o Atlético imitasse o Torreense, derrubando os dragões nas Antas, ante mais de trinta mil adeptos que cedo encontraram no caos criativo dos anfitriões sinais reminiscentes de épocas não muito distantes.
Atacava-se mal, com Bruno Moraes à cabeça de um conjunto inconcebivelmente desinspirado, onde somente Vieirinha ousava escapar à onda de mediania, a qual alastrava à defesa, onde a inédita dupla de centrais era rapidamente erudida pela perseverança dos dianteiros alcantarenses.
Com o reatamento adensou-se o desconforto nas bancadas, incrédulas com o atrevimento consentido da equipa do Atlético, a que o FC Porto ripostava apenas de bola parada. Jesualdo acrescentou Lisandro à equação para rapidamente constatar que no futebol, como na vida, não existe relação directa entre quantidade e qualidade.
Aproveitaram os alfacinhas, cruelmente expondo ao ridículo as linhas recuadas azuis-e-brancas, ao que Jesualdo, assaz desnorteado, respondeu atirando às feras mais dois dianteiros.
Terminando com seis avançados e desprovidos de qualquer sentido táctico, os campeões viram ainda cair do céu uma grande penalidade a que Quaresma - perturbado com a partida e, como tal, incompreensivelmente chamado a marcar - não correspondeu com uma finalização convincente.
O esférico abanava o poste, mas fazia ruir irremediavelmente as pretensões do detentor do troféu em revalidadar o prestigiante estatuto.

Urge encontrar respostas no seio do Dragão para tamanha hecatombe. Compromissos sérios dentro e fora de portas aproximam-se inexoravelmente, aos quais caberá a uma equipa ferida no seu orgulho corresponder.

5 comentários:

Anónimo disse...

Faltou respeito pelo adversário e não só. Faltou entrosamento e, acima de tudo, espírito de equipa.

Enfim.

João Teixeira disse...

Apesar de tudo é uma lição. Gostei, contudo, das palavras do Jesualdo Ferreira no final do jogo.

Anónimo disse...

11 titular: Vitor Baía (suplente); Marek Cech (muito utilizado); Fucile (titular); R. Costa João Paulo (suplentes); P. Asssunção (titular); Raul Meireles (titular); Ibson (muito utilizado); Quaresma (titular); Vieirinha (suplente); Bruno Moraes (bastante utilizado).

Relembro as lesões de Pepe, B. Alves e Lucho.

Por opção, apenas 2 titulares ficaram de fora (Postiga e Lisandro).

E pelo calibre do 11 inicial não achas q houve respeito pelo adversário?

Um abraço

Meirinho disse...

Na minha óptica, as poupanças são perfeitamente compreensíveis nestas circunstâncias. No entanto, como muito bem referes, sucederam-se variadíssimos impedimentos em pedras nucleares da equipa. Com metade desta já de fora por lesão, confesso que me custa a perceber poupanças ainda mais veementes, como as de Postiga e Lisandro.

E, para todos os efeitos, há que ter em conta declarações de Jesualdo como aquelas em que toma por benéfica a prolongada pausa de inverno. A equipa apresentou-se demasiadamente mal para quem teria, supostamente, a ganhar com o interregno, não te parece?

Existem muitos culpados, e a Jesualdo há, objectivamente, que imputar algumas responsabilidades pelo desaire. Sem alarmismos. O trabalho que vem desenvolvendo é excelente e estou confiante que poderá trazer-nos os resultados positivos que todos desejamos.


Gratos pela presença assídua,

Abraço.

Anónimo disse...

Concordo 100%, meirinho.

Abraço