quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Dossier Quaresma

Quaresma está vendido desde a época passada. O comum adepto portista já estava preparado para perder o Mustang no último defeso e, chegada ao final a temporada 2007/2008, Quaresma já não era mais que um hipotético conjunto apetecível de zeros num cheque vindo de um qualquer colosso do futebol europeu. O Inter apareceu mas tarda em rubricar o negócio.


Quaresma: entre a desilusão de mais uma época no Dragão
e o fantasma da pré-época perdida em Itália.

Pinto da Costa, no seu registo habitual que ajudou a fazer do Porto um clube vendedor por opção e não por imposição (ainda que uma ou duas vendas milionárias por época sejam quase tradição na Invicta), cometeu, neste Verão, erros de casting aos quais não estamos acostumados.

Com as célebres declarações dos 40 milhões menos um euro, Pinto da Costa, mais do que pôr expectativas no valor da venda de Quaresma, pôs pressão em si próprio ao prometer um negócio que excederia o valor dos campeões nacionais Pepe e Anderson, dobraria o valor de Bosingwa e passaria mesmo os de Paulo Ferreira, Deco e Ricardo Carvalho, que saíram como vencedores da UEFA e da Champions League em anos consecutivos. Mais ainda, prometeu uma surpresa, que passou a fazer mais sentido ainda, pela possibilidade de perda de um dos últimos génios a actuar em Portugal.

Tudo isto deixou de ser ambicioso e passou a ser terreno perigoso quando avaliado o contentamento dos adeptos para com o 7. É certo que Quaresma marcou na Luz o "golo do título" mas os assobios, as exibições pouco constantes e os tiques de vedeta que lhe eram, justa ou injustamente apontados, apagaram, de certa forma, as estatísticas que apontavam para um Quaresma ao nível que dele esperamos.

A grande questão é que, mais do que números, mais do que trivelas, mais do que os flashes e nomeações como estrela da equipa, o Tribunal do Dragão (e com que nostalgia me ia fugindo o teclado para as Antas) procura garra, entrega, esforço que é personificado em jogadores como Bruno Alves, Lisandro ou Raul Meireles. E o tribunal do Dragão deixou sair Quaresma em liberdade condicional com caução de 40 milhões de euros.

Foram ouvidos rumores de 20, 25, 30 milhões, Pelés, Riquelmes e Adrianos... Mas a pré-época já lá vai, o campeonato já arrancou em Portugal, arrancará em breve na Itália e o Agosto vai alto e ainda Quaresma não joga, não sorri nem faz sorrir adeptos, colegas e treinador que, admita ou não, teve que preparar duas equipas que tinham no elemento possivelmente ausente a sua peça chave: nas compras, nas dispensas e, quem sabe, até no modelo de jogo (ainda que Mariano esteja a arrancar em grande e Tarik tenha feito uma época passada em cheio) que cheira a 4-4-2, com um meio campo musculado de Meireles, Guarín, Tomás Costa e Lucho.

O jovem trinco português foi insistentemente apontado como moeda de troca
no negócio entre Porto e Inter.


Resta saber se Moratti e Mourinho estarão dispostos a dispender os 40 milhões para levar o cigano para outras paragens ou se Quaresma ficará mesmo aprisionado numa "prisão domiciliária" naquela que deixou, há muito tempo, de ser a sua casa.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Ambições renovadas

A bola já rola. Depois de um defeso marcado por mais uma vitória sobre o Benfica, desta feita nos tribunais, os Dragões regressam finalmente à competição. Perdida a Supertaça para o adversário do costume e sofridas algumas alterações de monta no plantel, a estreia na Liga agradou ao público do Dragão. O objectivo é o de sempre.


O capitão Pedro Emanuel ergue o título de Campeão Nacional
referente à época transacta.



Com valores de entradas e saídas a equilibrarem-se em torno dos 25M€ e um caso singular na figura de Quaresma e seu namoro declarado com o Inter de Milão, esta é claramente uma fase de reestruturação nos azuis-e-brancos.
José Bosingwa rumou a Londres após cinco temporadas a defender o emblema da Invicta, juntando-se aos seus bem conhecidos Ricardo Carvalho, Paulo Ferreira, Deco e Scolari a troco de mais de 20M€. Também Paulo Assunção trilhou outros caminhos. Após três épocas de titularidade que resultaram noutros tantos títulos de Campeão, o trinco brasileiro rescindiu unilateralmente contracto e transferiu-se para Madrid. O processo segue no Tribunal Arbitral de Desporto.
Já elementos menos preponderantes, como Marek Cech e Hélder Postiga, escolheram dar novos rumos às carreiras, mudando-se respectivamente para West Bromwich e Alvalade.
E o capítulo das vendas estaria encerrado não fora Ricardo Quaresma. O extremo não esconde a vontade de actuar num campeonato mais mediático e vê na nova equipa de José Mourinho uma excelente oportunidade. Contra si joga a cláusula do seu contrato que avalia o seu passe em 40M€. O Porto não está interessado em ceder a propostas substancialmente inferiores, e a novela arrasta-se sem que o talentoso nº7 ofereça a sua contribuição à equipa, afastado que se encontra das convocatórias. A janela de transferências encerra dentro de uma semana.

No outro prato da balança, foi novamente vincada a aposta em sul-americanos, recaindo o destaque no uruguaio Cristian Rodríguez. Aos 22 anos, o extremo esquerdo troca a Luz pelo Dragão num negócio avaliado em 7M€ que exaltou ainda mais os ânimos entre os rivais.
Rodriguéz junta-se assim ao seu compatriota e colega de selecção Jorge Fucile, devendo integrar o tridente ofensivo do Tri-Campeão a par de Mariano González e Lisandro López.
Na defesa, todas as zonas foram reforçadas. Nelson Benítez chegou do Lanús para disputar com Fucile e Lino a titularidade no lado esquerdo, enquanto que o internacional romeno Cristian Săpunaru foi o escolhido para suceder a Bosingwa na direita. Face à dispensa de João Paulo, o jovem internacional sub-21 português Rolando trará mais competição à posição de central.
Também no miolo a concorrência aumentou. Ao regresso de Fernando, emprestado ao Estrela da Amadora, juntam-se os jovens Freddy Guarín, um talento em bruto, e Tomás Costa, trabalhador incansável, médios de características intermédias que procurarão assegurar um lugar ao lado dos intocáveis Raúl Meireles e Lucho González.
Para a dianteira estava reservada a maior surpresa do mercado. Vindo da obscura J-League, principal escalão do futebol japonês, o brasileiro Givanildo Souza, conhecido no mundo do futebol por Hulk, exigiu à SAD Portista um esforço financeiro extravagante que despertou enorme desconfiança no seio dos adeptos. Desconhecido na Europa, Hulk demonstrou desde logo pormenores auspiciosos, aparentando possuir os atributos físicos e técnicos que lhe poderão valer uma carreira de sucesso no Velho Continente. Para já, parece ter ultrapassado Farías na hierarquia dos avançados, não sendo de descartar a sua titularidade numa fase posterior da temporada. O extremo Candeias, produto da formação azul-e-branca, que brilhou na 2ª Liga ao serviço do Varzim, está de volta a casa, esperando somar minutos de alta competição.

Quanto ao figurino, nada de novo. O Professor Jesualdo Ferreira procura tornar-se no primeiro treinador Tri-Campeão da história do FC Porto, que, por sua vez, almeja o seu segundo Tetra.
José Gomes sucede a Carlos Azenha, anterior adjunto que tentará uma carreira como treinador principal.
O 4-3-3 será novamente o sistema táctico de eleição, privilegiando as mobilidade dos três atacantes e valendo-se da mestria de Lucho González para municiar todas as manobras ofensivas.

Raúl Meireles, Mariano e Lucho são três dos prováveis titulares
do FC Porto 2008/09
.


Ontem, frente a um depauperado Belenenses, os Dragões apresentaram-se perante o seu público com uma vitória incontestável, apesar da desinspiração e cansaço patentes em algumas das suas pedras fulcrais, sujeitas a enormes deslocações decorrentes de compromissos internacionais.
Face a exibições menos conseguidas de Lucho, Lisandro e Rodríguez, os holofotes centraram-se inusitadamente num renovado Mariano e nos recém-chegados Tomás Costa e Hulk.
Revelando algumas descoordenações pouco usuais no centro da defesa, os Portistas permitiram veleidades aos visitantes em alguns lances de bola parada, mas foram globalmente bem superiores ao azuis do Restelo, que viram Lisandro López falhar o golo por três ocasiões. Numa delas, Mariano surgiu oportuno para emendar para o fundo das redes de Júlio César. O extremo argentino não se ficaria por aí, arrancando pouco antes do intervalo um remate portentoso que embateu com estrondo no poste.


Ainda que não tenha feito o gosto ao pé, Lisandro permanece a
principal referência ofensiva dos Dragões.



O meio campo trabalhador do Porto, constituído por Raúl Meireles e Tomás Costa, foi gerindo a partida sem sobressaltos. Até que surgiu Hulk. Qual super herói, o brasileiro sacudiu a partida com várias iniciativas de relevo e acabou recompensado com um fabuloso golo de meia distância após assistência de Sapunaru. Estreia de sonho na Liga para o atacante, que selou o marcador.

O Campeão entra assim a ganhar, uma semana antes da deslocação a Lisboa.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Tri-Campeões!

O Dragão fervilhava de espectativa. Por pouco tempo. Após duas reviravoltas, ante Leixões e Belenenses, os azuis-e-brancos não deixaram créditos por mãos alheias e arrasaram o Estrela da Amadora por enfáticos 6-0, antecipando o São João em quase três meses, um recorde absoluto do Clube.


Eis o onze que mais vezes alinhou pelo FC Porto esta época.


O desafio resumiu-se a uma mera formalidade, noventa minutos de suplício que o Estrela teria certamente evitado à partida, assim pudesse. Lucho, Quaresma, Tarik e Lisandro recrearam-se constantemente com a bola, deliciando a plateia com mais uma demonstração cabal da enorme qualidade que distingue o FC Porto da concorrência intramuros. A formação portuense conta com os melhores ataque (49 golos marcados), defesa (9 golos sofridos, apenas 1 em casa), marcador (Lisandro Lopez, 21 tentos) e sequência invicta (13 jogos) da prova.
A festa, que há muito se havia expandido às bancadas, abarcou então a Alameda das Antas, a cidade, a região e ecoou um pouco por todo país e mundo, onde quer que a diáspora azul-e-branca nos tenha levado.
Consumou-se assim o terceiro título consecutivo dos Dragões, o segundo «Tri» da sua história. Foi ainda o quinto dos últimos seis anos, o décimo dos últimos quinze, o décimo sexto dos últimos vinte cinco, o décimo oitavo dos últimos trinta.
Pedro Emanuel mantém-se no topo da lista dos atletas do plantel com mais campeonatos conquistados, ampliando a conta para seis - cinco deles ao serviço do FC Porto -, cabendo a José Bosingwa o papel de mais directo perseguidor, com quatro.
Jorge Nuno Pinto da Costa ultrapassou Santiago Barnabéu, lendário líder madrileno, como dirigente mais titulado da história do futebol.




A Nação Portista está de parabéns. Venha a Taça!


domingo, 16 de março de 2008

Tri cada vez mais perto

Na complicada deslocação ao Estádio do Mar, o F.C. Porto venceu o Leixões por 1-2 e assegurou mais 3 pontos, importantes no caminho para a conquista do Tri-Campeonato.

Os azuis e brancos começaram muito bem o jogo, com uma grande vontade de o resolver rapidamente, mas não fossem os sucessivos foras-de-jogo mal assinalados pelo árbitro assistente e algumas boas intervenções do guarda-redes da casa, o F.C. Porto poderia ter resolvido a jornada mais cedo e poupado os adeptos de algum aperto.

Aperto esse, consolidado com um golo madrugador do Leixões, no inicio da segunda parte, que obrigava o F.C. Porto a pegar no jogo com mais intensidade ainda e a marcar dois golos, naturalmente. Assim mesmo aconteceu, o primeiro por Lisandro (Quem mais poderia ser...) e o segundo por Tarik Sektioui - minuto 77 e 85 respectivamente.

Num campo onde Benfica e Sporting não conseguíram triunfar, o F.C. Porto conquista os três pontos e em pleno Estádio do Mar, embala num tradicional Rabelo velejando pelo Tri-Campeonato adentro.

terça-feira, 11 de março de 2008

Passeio com destino ao Tri

No regresso à Bwin Liga depois da eliminação da Champions frente ao Schalke 04, o FC Porto levou de vencida a Académica pela margem mínima com golo de Ricardo Quaresma. Os dragões viram assim a sua vantagem para o rival Benfica aumentar em dois pontos, cifrando-se agora nos 14 pontos de vantagem. Um verdadeiro passeio da equipa de Jesualdo Ferreira.

Não fosse a lesão de Bosingwa e a equipa do Porto seria a mesma que defrontou o Schalke a meio da semana. Jesualdo não olhou, portanto, ao desgaste físico e emocional que os seus jogadores evidenciavam. E pelo começo, notou-se algum cansaço, de facto. O Porto atacava e queria resolver o jogo rápido mas faltava o último passe e inspiração no momento de decidir o que fazer, o que se deve também à atitude defensiva da equipa de Domingos Paciência. O primeiro lance "a sério" do Porto surge aos 15 minutos quando Lucho descobre Lisandro (filme reptido vezes sem conta ao longo da época) que marca mas o árbitro invalidou o golo por alegado fora-de-jogo. Estava adiada a festa dos cerca de 31 000 portistas presentes no Dragão. Adiada por 15 minutos, diga-se. Aos 30, Ricardo Quaresma remata de fora da área num pontapé que levou algum efeito mas que contou com a deficiente abordagem ao lance de Pedro Roma para entrar na baliza. Estava feito o primeiro e quebrado o gelo no Dragão. Depois do golo, mais do mesmo, Porto a meio-gás e uma Académica que se tornava uma boa amiga da passividade portista.

A segunda parte foi um deserto de futebol de qualidade, um verdadeiro convite ao sono. Pouco futebol, muitas paragens, uma Académica com futebol paupérrimo e o Porto a dominar e controlar mas sem deslumbrar e sem jogar bem. Apenas dois lances de Lisandro, mais perdulário que o habitual, fizeram o jogo despertar do sono profundo. A terminar, uma atitude escusada de Mariano González e excesso de rigor por parte do árbitro valeram a expulsão ao número 11 portista que assim falha a deslocação a Matosinhos, no próximo sábado. O jogo acabou pouco depois com a confusão instalada e com o Porto cada vez mais confortável no seu passeio pela Bwin Liga deste ano.

MVP:

Ricardo Quaresma-> Marcou e ofereceu os três pontos ao Porto, apesar do momento menos bom que atravessa. Mas a verdade é que não deixa de ser decisivo e de dar vitórias ao Porto, como tem feito inúmeras vezes desde que chegou em 2004/05. Por vezes, exagera mas também exageram com ele, visto que ninguém deu tantas alegrias ao Porto como o "7" deu nos últimos 3 anos. Quanto a este jogo, um golo e alguns bons pormenores a mostrar que a oportunidade falhada contra o Schalke não o deita abaixo. Que este final de época e provavelmente, final da sua passagem pelo FC Porto seja fantástico para calar os críticos que têm memória curta...

sexta-feira, 7 de março de 2008

Epílogo cruel

Pelo segundo ano consecutivo o Futebol Clube do Porto sucumbe nos oitavos-de-final da Champions.
Pelo segundo ano consecutivo fica no ar um indisfarçável odor a injustiça.


Mariano conforta Quaresma, incapaz de concretizar convenientemente cara-a-cara com Neuer no prolongamento.


Azar e incompetência no acto de finalização constituíram uma barreira que só Lisandro conseguiu transpor, num momento tremendo que mais não proporcionou do que o adiar da desilusão.
Manuel Neuer, guardião do Schalke, teve a sua noite de carreira ao evitar três golos certos e remeter os Portistas ao desempate por grandes penalidades, onde novamente se evidenciou, permitindo apenas a concretização a Lucho.
Ainda que actuando cerca de uma hora em inferioridade numérica, visto Fucile ter sido questionavelmente expulso por entrada ainda assim destemperada sobre Kobiashvili, e tendo perdido José Bosingwa por lesão, o que levou à adaptação de Meireles e Mariano às laterais, os Bi-Campeões Nacionais foram durante os cento e vinte minutos a única formação capaz de ameaçar o adversário - entrincheirado no seu 4-5-1 puramente defensivo - justificando plenamente um triunfo que chegou em moldes ingratos: quatro grandes penalidades germânicas concretizadas face a apenas uma do lado lusitano selaram a eliminatória.
Os Dragões estão fora da Liga Milionária, naquela que pode ter sido a despedida em jogos em internacionais de alguns jogadores com a camisola do FC Porto.

domingo, 2 de março de 2008

Esforço insuficiente da segunda linha do plantel

Um Porto dependente da gestão do plantel efectuada por Jesualdo Ferreira em vista com o próximo jogo com o Schalke, enfrentou o rival Boavista no Bessa esta noite, sem que se notasse menos dedicação dos que entraram em campo mas também sem que estes estivessem particularmente felizes. Os espectadores foram para casa sem ver os golos pelos quais pagaram bilhete, apenas com a consolação de terem presenciado o regresso de Quaresma às grandes exibições.

Esta partida não se avizinhava particularmente interessante: desde logo Jesualdo Ferreira deixou jogadores-chave como Lisandro Lopez, Bosingwa e Pedro Emanuel de fora da convocatória, e ainda Quaresma, Bruno Alves e Raúl Meireles no banco. Tudo em nome da gestão de esforços, com um dos maiores desafios da época pela frente na próxima quarta-feira: recuperar a desvantagem de um golo trazida da Alemanha do campo do Schalke 04, e qualificar o FC Porto para os quartos-de-final da Liga dos Campeões.

Sendo assim Stepanov, João Paulo, Cech, Kazmierczak, Mariano e Adriano tinham uma oportunidade de mostrar o seu valor no onze titular. Mas foi o uruguaio Fucile, de regresso à lateral direita a “fazer de Bosingwa”, a ter a primeira oportunidade flagrante logo no início do jogo, numa confusão na área em que apenas em cima da linha alguém da defensiva boavisteira conseguiu travar violentamente com a cara.

Não durou muito este ímpeto inicial do FC Porto, pois cedo o Boavista conseguiu se adaptar às marcações a todos estes jogadores que não esperava ver em campo. Conforme a primeira parte decorreu, a equipa da casa começou a ter maior volume atacante e a rematar mais. Muitas vezes através de bola parada, com a defesa do FC Porto a ceder vários livres frontais de forma algo incaracterística. A primeira parte acabaria com um lance de bola parada mas na outra área, com Marek Cech a bater um livre com uma trajectória estranha que ameaçou ser desviada por alguém na área mas chegou directo a Jehle, que fez uma boa defesa.

Ficava a sensação que não estava a ser uma partida muito bem jogada e que o FC Porto tinha dificuldades em com este onze, apresentar a qualidade de jogo do costume. Uma substituição viria alterar este equilíbrio – Jesualdo trocou Lucho por Quaresma, o que até nem parecia fazer grande sentido para além da gestão de esforço que já mencionei, dado que Lucho era quem mais tentava criar ocasiões de perigo através sobretudo de passes a rasgar.

E os completos efeitos da substituição não se notaram imediatamente. O Boavista deixou de ter o maior domínio de jogo, mas causou grandes calafrios a Hélton em duas ocasiões. Primeiro Mateus antecipou-se ao primeiro poste a João Paulo, rematando muito perto do poste, e pouco depois um cruzamento desviado por Cech quase traía o guarda-redes brasileiro, obrigado a boa defesa.

Quaresma começou a ameaçar pouco depois, falhando o canto superior esquerdo da baliza de Jehle por pouco. A expulsão de Diakité pouco depois (por acumulação de cartões amarelos) talvez tenha sido o que finalmente desequilibrou a organização do Boavista – a partir daí sucederam-se os lances de perigo criados pelo ataque portista a um ritmo elevado. Stepanov chegou a marcar golo, mas foi anulado devido a fora-de-jogo milimétrico mas existente. Quaresma teve outros dois remates perigosíssimos, um num remate rasteiro muito ligeiramente desviado, outro que acertou em cheio na junção do poste com a barra. Até final e já no período de compensação, apenas registo de duas entradas muito duras sobre Fucile, uma das quais parecia-me justificar o cartão vermelho. Desnecessária e incompreensível esta atitude dos axadrezados.

Destaques individuais: claramente Quaresma por todos os remates perigosos (falhou 3 golos por muito pouco...) e não só, também esteve particularmente inspirado nos dribles e combinações com outros jogadores. Nos últimos jogos tenho sido bastante crítico das suas exibições, mas hoje viu-se um Quaresma que conseguiu render a um nível muito mais elevado. Parece-me acertada a gestão de esforço que Jesualdo Ferreira fez em relação a este jogador, conforme o próprio Quaresma explicou na conferência de imprensa. Outro jogador que esteve bastante bem foi Fucile, com um estilo de jogo um pouco diferente de Bosingwa mas hoje a integrar-se no ataque com a mesma eficácia. Pequena nota para Hélton que tem recebido algumas críticas mas que hoje esteve bem seguro sempre que foi chamado a intervir. E pequena grande nota (desculpem o cliché...) para Paulo Assunção, que cada vez tem aprendido a se tornar mais um organizador de jogo a partir de trás, acrescentando grande valor às qualidades que todos lhe reconhecemos a destruir o jogo do adversário.

Não tão bem esteve Mariano González, aqui e ali conseguindo um bom pormenor ou inventando uma boa ideia para criar jogo, mas tal não compensou todas as bolas que perdeu. A dupla de avançados que iniciou a partida (Ernesto Farías e Adriano) também esteve infeliz, raramente se integrando no jogo nem dando grande uso às poucas bolas que lhes chegavam – Farias tem sido opção regular e não deverá perder o estatuto com este jogo, já o brasileiro pode ter aqui desperdiçado uma oportunidade para se impor. Lucho González esteve bem a inventar linhas de passe mas demonstrou uma inédita tendência para fazer faltas perigosas. Não é este o tipo de agressividade que eu quero ver no argentino. Finalmente, Kazmierczak teria passado completamente despercebido não fosse alguns remates que efectuou. Para fora.

No final, um empate a zero não reflecte a emoção que existiu neste derbi, que merecia golos. Fica a ideia que o FC Porto talvez justificasse a vitória, mas isto pode ser condicionado pelos últimos minutos terem sido de domínio portista – as últimas impressões são as que têm mais impacto. Os dois pontos perdidos dificilmente farão qualquer diferença neste campeonato, quem sabe com o derbi lisboeta de amanhã (Sporting-Benfica) não sairemos desta jornada ainda com mais pontos de vantagem do que aqueles com que entramos?

Agora venha o Schalke.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Paços largos para o Tri

Na ressaca da derrota em Gelsenkirchen, o FC Porto recebeu e venceu o Paços de Ferreira na 20º jornada da Bwin Liga. Uma exibição q.b. frente a um adversário que não conseguiu incomodar verdadeiramente o campeão nacional que assim, continua tranquilo no seu passeio rumo ao tri-campeonato.


Era um Porto sem Ricardo Quaresma aquele que se apresentava frente ao 15º classificado do campeonato. Em relação ao jogo com o Schalke 04, três alterações. O regresso de Bosingwa para o lugar de João Paulo, a entrada de Cech para o lugar de Fucile e Tarik a substituir Ricardo Quaresma. E a verdade é que a primeira parte justificava saudades de Ricardo Quaresma, já que o futebol apresentado pelo FC Porto roçou o medíocre. Os passes não saíam, não havia fio de jogo nem ligação entre o meio-campo e o ataque. Na primeira parte e antes do golo de Lisandro López, só um excelente remate à meia-volta de Ernesto Farías ao poste da baliza de Peçanha após passe sublime de Lucho González. Mais uns minutos de apatia e de mau futebol até aos 45 minutos quando um magnífico passe de Lucho isola Lisandro que faz o primeiro da noite e 17º na sua conta pessoal. Estava quebrado o gelo no Estádio do Dragão.

Para a segunda parte, mais confiança e uma melhoria substancial no futebol praticado. Logo aos 50 minutos, Lisandro López voltou a mostrar vontade de facturar e atirou ao poste. Foi um aviso ao Paços que não ligou e 3 minutos volvidos, sofreu o segundo por Lisandro López (quem mais poderia ser?). Passe de Lucho para Farías que cruzou para o Licha arrumar, praticamente, com a questão. 18 golos em 19 jogos, são estes os números do camisola 9 do FC Porto que atravessa o melhor momento da carreira, sem dúvida. Mas não se pense que a equipa de Jesualdo Ferreira ficou por aqui. Continuou a saber explorar as dificuldades do Paços que nem conseguiu responder às investidas azuis-e-brancas. Quem agradeceu foi Hélton que teve uma noite muito calma depois da agitação de Gelsenkirchen. Aos 58 minutos, Tarik quase obrigava um jogador pacense a marcar na própria baliza mas a bola acabou por sair ao lado. O FC Porto continuava a conseguir jogar e agora, já efectuava boas jogadas de entendimento ao contrário do que sucedera na primeira parte. Para fim de festa, Lucho González fez mais um daqueles passes que só ele consegue fazer e isolou o muito criticado Mariano González que desta vez (uma das poucas vezes desde que chegou ao clube) acertou e aumentou o score para 3-0. Estava desarrumada a mobília pacense e assegurada mais uma vitória. Ficam a faltar 7 para o Tri.

MVP:

Lucho González-> Esteve nos três golos e foi dos únicos que acertaram numa primeira parte paupérrima do colectivo azul-e-branco. Fez assistências primorosas para o primeiro e terceiro golos, iniciou a jogada do segundo e teve pormenores de classe que pautaram o jogo dos portistas. Quando "El Comandante" está nos seus dias, o futebol praticado pelo FC Porto é de outra qualidade. Vai ser necessário que assim continue para enfrentar uma fase decisiva da época.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Noite germância congela fogo do Dragão.

O FC Porto perdeu por 1-0 no Arena Auf Schalke que tão boas recordações trazia aos dragões. Jogadores distraíram-se a apreciar o estádio e deram aos de casa meia hora de avanço. E foi o suficiente para trazer para a decisão da eliminatória, no Dragão, um resultado que tem tanto de ingrato como de ultrapassável.

O FC Porto ainda continua na luta por um lugar nos quartos de final.

Jesualdo fez alinhar João Paulo no lugar do lesionado Bosingwa, na tentativa de conseguir uma maior ligação entre sectores: João Paulo a poder juntar-se aos centrais, dando liberdade a Fucile para se juntar ao meio campo. Com Farías, Quaresma e Lisandro, pedia-se ao goleador mor do Porto que recuasse diversas vezes para vir buscar jogo ao meio campo.

Mas o resultado foi todo menos o esperado, os sectores desligados, a equipa inconsequente e Fucile com um verdadeiro pesadelo na primeira meia hora de jogo.
Começou cedo com Kurany, na recarga de um remate de Rafinha, após combinação que deixou a ala esquerda do Porto desfeita, fez o golo, volvidos apenas 4 minutos do jogo.
Durante mais 25 minutos o Porto continuou a não conseguir parar os ataques pela ala direita do ataque dos alemães e a não ter capacidade de ultrapassar a barreira criada por Jones e Ernst. E o resultado apenas não se avolumou devido a uma noite mais do guardião brasileiro Hélton.
Com a troca de flancos de João Paulo e Fucile, a equipa ficou mais tranquila defensivamente, começando a soltar-se mais no meio campo.

Na segunda parte, Lucho Gonzaléz tentou comandar a equipa com bons passes e uma excelente leitura de jogo mas um desinspirado Quaresma e um Farías (e mais tarde Tarik) pouco interventivo não davam seguimento ao ensejo de El Comandante. Apenas Lisandro estava na toada habitual, com muita garra e entrega a toda e cada bola.
Com o avançar do jogo o Porto foi criando mais e mais, com Lisandro, a cerca de 10 minutos do fim, a desperdiçar uma oportunidade enorme para empatar, a passe do Mustang.

Final do jogo com derrota pela margem mínima que, não sendo um bom resultado, deixa tudo em aberto para o jogo do Dragão, em Março.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Rumo a Gelsenkirchen com escala no Funchal

O Caldeirão dos Barreiros encheu na recepção ao Bi-Campeão, e os Dragões não defraudaram as espectativas dos milhares de adeptos que ajudaram a colorir de azul as bancadas de um dos recintos onde, tradicionalmente, mais dificuldades se colocam aos Portistas. Depois do desaire na Choupana, a Pérola do Atlântico foi novamente solo auspicioso para um conjunto que jogará hoje uma cartada decisiva na Liga Milionária.


Lisandro juntou mais dois à sua conta, que ascende já a 18 tentos no cômputo geral da competições nesta época.


Lisandro. Ainda e sempre Lisandro; correndo, forçando, marcando.
Quando tudo o resto falhar, haverá sempre Lisandro e seu tango em forma de luta para fazer do Porto, se não vencedor, pelo menos digno competidor em qualquer desafio.
À supremacia vincada pelo Marítimo no segundo terço da primeira metade respondeu o argentino em mais um movimento reservado à nobre classe dos que veêm em cada momento uma oportunidade. Codicioso, engendrou entre dois oponentes a nesga bastante para almejar com sucesso as redes de Marcos.
E a resistência sucumbiu.
Quaisquer instabilidades defensivas ou desacertos nas propaladas transições rápidas ficaram na sombra de uma segunda parte segura e bem conseguida, assente numa intermediária eficiente.
Farías deu lugar a Tarik, que logo fez questão de colocar os visitantes à segura margem de dois tentos, tratando Lisandro de encerrar as contas no culminar de uma excelente jogada, onde intervieram os nucleares Quaresma e Lucho.

Aos derradeiros minutos não deve descurar-se o mérito de servirem de prelúdio ao embate frente ao Schalke 04. Ao encontro foram adicionados Kaz e João Paulo, este último em novas funções de lateral direito, possíveis alternativas a ter em conta face ao esquema tipicamente alemão do oponente, baseado num meio-campo musculado e num ataque confiado a dois homens possantes.

Sem Bosingwa, baixa de vulto, os azuis-e-brancos regressam à AufSchalke Arena, palco de um dos seus mais sublimes triunfos, fará em Maio quatro anos.

Façam-nos sonhar!

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Goleada

Frente ao pior Leiria dos últimos anos, o F.C. Porto deu a resposta que se pretendia a uma derrota bastante injusta em Alvalade. Uma vez mais, começou por construir a vitória bem cedo, com golos madrugadores e decisivos. Por intermédio de Bosingwa chegou à vantagem aos 18 minutos, que numa boa iniciativa individual, desequilibrou (como é costume) e rematou forte para um grande golo (ainda que a bola tivesse sofrido um desvio irregular, mas não propositado, por parte de Farías).

Vantagem conquistada, os azuis e brancos procuraram então consolidá-la. Conseguiram-no com relativa “tranquilidade”, aos 24, 44 e 62 minutos, proporcionando ao público (que desta vez até se portou como deve de ser) um belíssimo tango. Farías bisou e pelo meio o incansável Lisandro López também fez o gosto ao pé. Jesualdo Ferreira tinha razão, o F.C. Porto aprendeu com a derrota e ficou mais forte.

F.C. Porto – Helton; Bosingwa, Pedro Emanuel (cap.), Bruno Alves, Fucile; Lucho (Mariano), Paulo Assunção (Castro), Raul Meireles; Lisandro, Farías (Adriano), Quaresma

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Quando a bola não entra...

Quando a bola não entra, o treinador é o culpado. Quando a bola não entra, o sistema de jogo não foi o mais eficaz. Quando a bola não entra, a culpa é da equipa de arbitragem. Quando a bola não entra, o adversário foi maduro a defender.

Por causa de uma semana insuportável não fui capaz de escrever este artigo mais cedo, como tal não irei fazer um resumo da partida mas, sim, dissecar alguns pontos.

O treinador é o culpado?

Sabemos que no futebol a culpa nunca morre solteira e geralmente é transferida para todos os elementos do grupo, mas a posição de destaque de alguns elementos permite-nos avaliar a sua actuação, entre eles estará sempre o treinador. Neste caso, não tenho problemas em afirmar que Jesualdo errou. Resolveu entrar em campo com um quarteto médio sem que a equipa tivesse rotinada nesse sistema, com dois elementos adaptados a posições que conhecem muito pouco: Cech e Quaresma. Para piorar a situação, o eslovaco, tem feito a pior época desde que está no Dragão - sempre desconcentrado, defendendo mal e não conseguindo fazer jogar (a capacidade de passe levou-o para o meio-campo, com Co Adriaanse, sem ela perde toda a utilidade nessa posição).

Jesualdo Ferreira não viu isto, como não viu que em Janeiro tinha o Sporting como adversário ou então não pensou na possibilidade de perder Tarik. Se tinha pretensões de jogar contra os Leões com um meio-campo de 4 elementos, não se percebe a saída de Leandro Lima - que seria útil como vértice mais avançado deste losango. Não se percebe da utilidade de Kazmierczak (jogadores defendido por mim, nas contratações de início de época), é um péssimo interior, por não conseguir sair a jogar, mas é um excelente trinco - por esses motivos parece-me a mais no Porto, que continua a não ter um 10 capaz de pegar no jogo e a depender unicamente de Lucho e Meireles para essas funções. Tem Rabiola, como tinha Leandro Lima – no “vamos ver…”.

A culpa de Jesualdo morre aqui e surge o seu mérito, que existe, apesar da derrota. Após os 2-0, a equipa teve 25 minutos de autêntico desnorte, com sucessivos passes longos e tentativas inúteis de praticar um futebol britânico - o meio-campo deixou de tentar receber a bola e a defenda ocupou lugar de destaque nos lançamentos longos. Neste período, o Porto só criou uma oportunidade e de bola-parada (aos 28 com o cabeceamento de Lisandro). Após o intervalo algo mudou, Jesualdo reparou no erro que fez e retira Marek Cech e após uma longa conversa no balneário (acredito eu) a postura da equipa mudou e voltou com outro espírito - acreditando no futebol mais apoiado -, regressando ao Porto dos primeiro minutos. De nada serviu, mas as ideias estiveram lá e o Professor mostrou que a equipa pode ter determinação para mudar resultados e que o jogo com o Sporting não é uma fase de menor rendimento, dando perspectivas para a continuação de um campeonato seguro e de uma participação honrosa nas competições europeias.

O sistema de jogo não foi o mais eficaz?

Verdade. É o único argumento que merece a minha aprovação. «Dá-me o meio-campo, que eu ganho o jogo», se é verdadeira esta afirmação, todo resto não é necessariamente falso, isto é, para ganharmos o jogo não é necessário que se tenha mais elementos em detrimento de outras zonas do terreno e muito menos quando uma equipa joga um futebol directo - como é o caso do Porto. É necessário, sim, que se actue noutras zonas e com 3 elementos o Porto podia ter explorado isso (como prova a segunda parte), usando a melhor forma de combater o Losango médio do Sporting - um centro do meio-campo para uma circulação de bola com objectivos de a jogar para as faixas.

Com o meio-campo de 4 elementos, os Dragões, nunca conseguiram ter coerência. Faltou apoio ao lateral, como se viu no segundo golo dos lisboetas, e capacidade de criar espaços com um jogador de vértice ofensivo - tipicamente deambulador, forte no um-para-um.

A culpa é da equipa de arbitragem?

Além dos expressivos 2 a 0, a actuação dos assistentes e do árbitro não foi prejudicial. Este argumento não invalida a má actuação do árbitro, como é típico por esse mundo fora, amarelos desnecessário e amarelos que ficaram por dar - que contribui sucessivamente para a manutenção de maus jogadores em clubes de topo e de maus jogos de futebol.

O que tem de prejudicial dar um vermelho, quando o único objectivo do agressor é matar a jogada? Alguém, em algum dia, me irá explicar...

O adversário foi maduro a defender?

De acordo com a imprensa, pouco conhecedora de futebol e às vezes demasiado atenta à estatística simplista, a defesa sportinguista foi o elemento mais forte da equipa. Nada mais do que uma mentira grande e gorda. Os latifúndios do futebol moderno, foram os espaços reduzidos de ontem, mas para os jogadores do Sporting os latifúndios foram os latifúndios tal foram os espaços concedidos na área e conto 7 oportunidades nessa zona (1º, 9º, 54º, 57º, 58º, 66º e 82º minuto) sem contar com o golo, em off-side, de Lisandro.

A competência (mérito pelo vitória) deve ser dada a quem merece: à determinação dos jogadores da casa e ao perceberem, desde cedo, que tinham bloquear as alas.

Conclusão:
Estes pontos têm como objectivo debater os temas que surgiram ao longo da semana e desmistificar alguns temas que são recorrentes, especialmente, na imprensa e na opinião de muita gente influenciada por esta. Debater alguns temas, criticando e analisando o jogo…