segunda-feira, 7 de abril de 2008

Tri-Campeões!

O Dragão fervilhava de espectativa. Por pouco tempo. Após duas reviravoltas, ante Leixões e Belenenses, os azuis-e-brancos não deixaram créditos por mãos alheias e arrasaram o Estrela da Amadora por enfáticos 6-0, antecipando o São João em quase três meses, um recorde absoluto do Clube.


Eis o onze que mais vezes alinhou pelo FC Porto esta época.


O desafio resumiu-se a uma mera formalidade, noventa minutos de suplício que o Estrela teria certamente evitado à partida, assim pudesse. Lucho, Quaresma, Tarik e Lisandro recrearam-se constantemente com a bola, deliciando a plateia com mais uma demonstração cabal da enorme qualidade que distingue o FC Porto da concorrência intramuros. A formação portuense conta com os melhores ataque (49 golos marcados), defesa (9 golos sofridos, apenas 1 em casa), marcador (Lisandro Lopez, 21 tentos) e sequência invicta (13 jogos) da prova.
A festa, que há muito se havia expandido às bancadas, abarcou então a Alameda das Antas, a cidade, a região e ecoou um pouco por todo país e mundo, onde quer que a diáspora azul-e-branca nos tenha levado.
Consumou-se assim o terceiro título consecutivo dos Dragões, o segundo «Tri» da sua história. Foi ainda o quinto dos últimos seis anos, o décimo dos últimos quinze, o décimo sexto dos últimos vinte cinco, o décimo oitavo dos últimos trinta.
Pedro Emanuel mantém-se no topo da lista dos atletas do plantel com mais campeonatos conquistados, ampliando a conta para seis - cinco deles ao serviço do FC Porto -, cabendo a José Bosingwa o papel de mais directo perseguidor, com quatro.
Jorge Nuno Pinto da Costa ultrapassou Santiago Barnabéu, lendário líder madrileno, como dirigente mais titulado da história do futebol.




A Nação Portista está de parabéns. Venha a Taça!


domingo, 16 de março de 2008

Tri cada vez mais perto

Na complicada deslocação ao Estádio do Mar, o F.C. Porto venceu o Leixões por 1-2 e assegurou mais 3 pontos, importantes no caminho para a conquista do Tri-Campeonato.

Os azuis e brancos começaram muito bem o jogo, com uma grande vontade de o resolver rapidamente, mas não fossem os sucessivos foras-de-jogo mal assinalados pelo árbitro assistente e algumas boas intervenções do guarda-redes da casa, o F.C. Porto poderia ter resolvido a jornada mais cedo e poupado os adeptos de algum aperto.

Aperto esse, consolidado com um golo madrugador do Leixões, no inicio da segunda parte, que obrigava o F.C. Porto a pegar no jogo com mais intensidade ainda e a marcar dois golos, naturalmente. Assim mesmo aconteceu, o primeiro por Lisandro (Quem mais poderia ser...) e o segundo por Tarik Sektioui - minuto 77 e 85 respectivamente.

Num campo onde Benfica e Sporting não conseguíram triunfar, o F.C. Porto conquista os três pontos e em pleno Estádio do Mar, embala num tradicional Rabelo velejando pelo Tri-Campeonato adentro.

terça-feira, 11 de março de 2008

Passeio com destino ao Tri

No regresso à Bwin Liga depois da eliminação da Champions frente ao Schalke 04, o FC Porto levou de vencida a Académica pela margem mínima com golo de Ricardo Quaresma. Os dragões viram assim a sua vantagem para o rival Benfica aumentar em dois pontos, cifrando-se agora nos 14 pontos de vantagem. Um verdadeiro passeio da equipa de Jesualdo Ferreira.

Não fosse a lesão de Bosingwa e a equipa do Porto seria a mesma que defrontou o Schalke a meio da semana. Jesualdo não olhou, portanto, ao desgaste físico e emocional que os seus jogadores evidenciavam. E pelo começo, notou-se algum cansaço, de facto. O Porto atacava e queria resolver o jogo rápido mas faltava o último passe e inspiração no momento de decidir o que fazer, o que se deve também à atitude defensiva da equipa de Domingos Paciência. O primeiro lance "a sério" do Porto surge aos 15 minutos quando Lucho descobre Lisandro (filme reptido vezes sem conta ao longo da época) que marca mas o árbitro invalidou o golo por alegado fora-de-jogo. Estava adiada a festa dos cerca de 31 000 portistas presentes no Dragão. Adiada por 15 minutos, diga-se. Aos 30, Ricardo Quaresma remata de fora da área num pontapé que levou algum efeito mas que contou com a deficiente abordagem ao lance de Pedro Roma para entrar na baliza. Estava feito o primeiro e quebrado o gelo no Dragão. Depois do golo, mais do mesmo, Porto a meio-gás e uma Académica que se tornava uma boa amiga da passividade portista.

A segunda parte foi um deserto de futebol de qualidade, um verdadeiro convite ao sono. Pouco futebol, muitas paragens, uma Académica com futebol paupérrimo e o Porto a dominar e controlar mas sem deslumbrar e sem jogar bem. Apenas dois lances de Lisandro, mais perdulário que o habitual, fizeram o jogo despertar do sono profundo. A terminar, uma atitude escusada de Mariano González e excesso de rigor por parte do árbitro valeram a expulsão ao número 11 portista que assim falha a deslocação a Matosinhos, no próximo sábado. O jogo acabou pouco depois com a confusão instalada e com o Porto cada vez mais confortável no seu passeio pela Bwin Liga deste ano.

MVP:

Ricardo Quaresma-> Marcou e ofereceu os três pontos ao Porto, apesar do momento menos bom que atravessa. Mas a verdade é que não deixa de ser decisivo e de dar vitórias ao Porto, como tem feito inúmeras vezes desde que chegou em 2004/05. Por vezes, exagera mas também exageram com ele, visto que ninguém deu tantas alegrias ao Porto como o "7" deu nos últimos 3 anos. Quanto a este jogo, um golo e alguns bons pormenores a mostrar que a oportunidade falhada contra o Schalke não o deita abaixo. Que este final de época e provavelmente, final da sua passagem pelo FC Porto seja fantástico para calar os críticos que têm memória curta...

sexta-feira, 7 de março de 2008

Epílogo cruel

Pelo segundo ano consecutivo o Futebol Clube do Porto sucumbe nos oitavos-de-final da Champions.
Pelo segundo ano consecutivo fica no ar um indisfarçável odor a injustiça.


Mariano conforta Quaresma, incapaz de concretizar convenientemente cara-a-cara com Neuer no prolongamento.


Azar e incompetência no acto de finalização constituíram uma barreira que só Lisandro conseguiu transpor, num momento tremendo que mais não proporcionou do que o adiar da desilusão.
Manuel Neuer, guardião do Schalke, teve a sua noite de carreira ao evitar três golos certos e remeter os Portistas ao desempate por grandes penalidades, onde novamente se evidenciou, permitindo apenas a concretização a Lucho.
Ainda que actuando cerca de uma hora em inferioridade numérica, visto Fucile ter sido questionavelmente expulso por entrada ainda assim destemperada sobre Kobiashvili, e tendo perdido José Bosingwa por lesão, o que levou à adaptação de Meireles e Mariano às laterais, os Bi-Campeões Nacionais foram durante os cento e vinte minutos a única formação capaz de ameaçar o adversário - entrincheirado no seu 4-5-1 puramente defensivo - justificando plenamente um triunfo que chegou em moldes ingratos: quatro grandes penalidades germânicas concretizadas face a apenas uma do lado lusitano selaram a eliminatória.
Os Dragões estão fora da Liga Milionária, naquela que pode ter sido a despedida em jogos em internacionais de alguns jogadores com a camisola do FC Porto.

domingo, 2 de março de 2008

Esforço insuficiente da segunda linha do plantel

Um Porto dependente da gestão do plantel efectuada por Jesualdo Ferreira em vista com o próximo jogo com o Schalke, enfrentou o rival Boavista no Bessa esta noite, sem que se notasse menos dedicação dos que entraram em campo mas também sem que estes estivessem particularmente felizes. Os espectadores foram para casa sem ver os golos pelos quais pagaram bilhete, apenas com a consolação de terem presenciado o regresso de Quaresma às grandes exibições.

Esta partida não se avizinhava particularmente interessante: desde logo Jesualdo Ferreira deixou jogadores-chave como Lisandro Lopez, Bosingwa e Pedro Emanuel de fora da convocatória, e ainda Quaresma, Bruno Alves e Raúl Meireles no banco. Tudo em nome da gestão de esforços, com um dos maiores desafios da época pela frente na próxima quarta-feira: recuperar a desvantagem de um golo trazida da Alemanha do campo do Schalke 04, e qualificar o FC Porto para os quartos-de-final da Liga dos Campeões.

Sendo assim Stepanov, João Paulo, Cech, Kazmierczak, Mariano e Adriano tinham uma oportunidade de mostrar o seu valor no onze titular. Mas foi o uruguaio Fucile, de regresso à lateral direita a “fazer de Bosingwa”, a ter a primeira oportunidade flagrante logo no início do jogo, numa confusão na área em que apenas em cima da linha alguém da defensiva boavisteira conseguiu travar violentamente com a cara.

Não durou muito este ímpeto inicial do FC Porto, pois cedo o Boavista conseguiu se adaptar às marcações a todos estes jogadores que não esperava ver em campo. Conforme a primeira parte decorreu, a equipa da casa começou a ter maior volume atacante e a rematar mais. Muitas vezes através de bola parada, com a defesa do FC Porto a ceder vários livres frontais de forma algo incaracterística. A primeira parte acabaria com um lance de bola parada mas na outra área, com Marek Cech a bater um livre com uma trajectória estranha que ameaçou ser desviada por alguém na área mas chegou directo a Jehle, que fez uma boa defesa.

Ficava a sensação que não estava a ser uma partida muito bem jogada e que o FC Porto tinha dificuldades em com este onze, apresentar a qualidade de jogo do costume. Uma substituição viria alterar este equilíbrio – Jesualdo trocou Lucho por Quaresma, o que até nem parecia fazer grande sentido para além da gestão de esforço que já mencionei, dado que Lucho era quem mais tentava criar ocasiões de perigo através sobretudo de passes a rasgar.

E os completos efeitos da substituição não se notaram imediatamente. O Boavista deixou de ter o maior domínio de jogo, mas causou grandes calafrios a Hélton em duas ocasiões. Primeiro Mateus antecipou-se ao primeiro poste a João Paulo, rematando muito perto do poste, e pouco depois um cruzamento desviado por Cech quase traía o guarda-redes brasileiro, obrigado a boa defesa.

Quaresma começou a ameaçar pouco depois, falhando o canto superior esquerdo da baliza de Jehle por pouco. A expulsão de Diakité pouco depois (por acumulação de cartões amarelos) talvez tenha sido o que finalmente desequilibrou a organização do Boavista – a partir daí sucederam-se os lances de perigo criados pelo ataque portista a um ritmo elevado. Stepanov chegou a marcar golo, mas foi anulado devido a fora-de-jogo milimétrico mas existente. Quaresma teve outros dois remates perigosíssimos, um num remate rasteiro muito ligeiramente desviado, outro que acertou em cheio na junção do poste com a barra. Até final e já no período de compensação, apenas registo de duas entradas muito duras sobre Fucile, uma das quais parecia-me justificar o cartão vermelho. Desnecessária e incompreensível esta atitude dos axadrezados.

Destaques individuais: claramente Quaresma por todos os remates perigosos (falhou 3 golos por muito pouco...) e não só, também esteve particularmente inspirado nos dribles e combinações com outros jogadores. Nos últimos jogos tenho sido bastante crítico das suas exibições, mas hoje viu-se um Quaresma que conseguiu render a um nível muito mais elevado. Parece-me acertada a gestão de esforço que Jesualdo Ferreira fez em relação a este jogador, conforme o próprio Quaresma explicou na conferência de imprensa. Outro jogador que esteve bastante bem foi Fucile, com um estilo de jogo um pouco diferente de Bosingwa mas hoje a integrar-se no ataque com a mesma eficácia. Pequena nota para Hélton que tem recebido algumas críticas mas que hoje esteve bem seguro sempre que foi chamado a intervir. E pequena grande nota (desculpem o cliché...) para Paulo Assunção, que cada vez tem aprendido a se tornar mais um organizador de jogo a partir de trás, acrescentando grande valor às qualidades que todos lhe reconhecemos a destruir o jogo do adversário.

Não tão bem esteve Mariano González, aqui e ali conseguindo um bom pormenor ou inventando uma boa ideia para criar jogo, mas tal não compensou todas as bolas que perdeu. A dupla de avançados que iniciou a partida (Ernesto Farías e Adriano) também esteve infeliz, raramente se integrando no jogo nem dando grande uso às poucas bolas que lhes chegavam – Farias tem sido opção regular e não deverá perder o estatuto com este jogo, já o brasileiro pode ter aqui desperdiçado uma oportunidade para se impor. Lucho González esteve bem a inventar linhas de passe mas demonstrou uma inédita tendência para fazer faltas perigosas. Não é este o tipo de agressividade que eu quero ver no argentino. Finalmente, Kazmierczak teria passado completamente despercebido não fosse alguns remates que efectuou. Para fora.

No final, um empate a zero não reflecte a emoção que existiu neste derbi, que merecia golos. Fica a ideia que o FC Porto talvez justificasse a vitória, mas isto pode ser condicionado pelos últimos minutos terem sido de domínio portista – as últimas impressões são as que têm mais impacto. Os dois pontos perdidos dificilmente farão qualquer diferença neste campeonato, quem sabe com o derbi lisboeta de amanhã (Sporting-Benfica) não sairemos desta jornada ainda com mais pontos de vantagem do que aqueles com que entramos?

Agora venha o Schalke.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Paços largos para o Tri

Na ressaca da derrota em Gelsenkirchen, o FC Porto recebeu e venceu o Paços de Ferreira na 20º jornada da Bwin Liga. Uma exibição q.b. frente a um adversário que não conseguiu incomodar verdadeiramente o campeão nacional que assim, continua tranquilo no seu passeio rumo ao tri-campeonato.


Era um Porto sem Ricardo Quaresma aquele que se apresentava frente ao 15º classificado do campeonato. Em relação ao jogo com o Schalke 04, três alterações. O regresso de Bosingwa para o lugar de João Paulo, a entrada de Cech para o lugar de Fucile e Tarik a substituir Ricardo Quaresma. E a verdade é que a primeira parte justificava saudades de Ricardo Quaresma, já que o futebol apresentado pelo FC Porto roçou o medíocre. Os passes não saíam, não havia fio de jogo nem ligação entre o meio-campo e o ataque. Na primeira parte e antes do golo de Lisandro López, só um excelente remate à meia-volta de Ernesto Farías ao poste da baliza de Peçanha após passe sublime de Lucho González. Mais uns minutos de apatia e de mau futebol até aos 45 minutos quando um magnífico passe de Lucho isola Lisandro que faz o primeiro da noite e 17º na sua conta pessoal. Estava quebrado o gelo no Estádio do Dragão.

Para a segunda parte, mais confiança e uma melhoria substancial no futebol praticado. Logo aos 50 minutos, Lisandro López voltou a mostrar vontade de facturar e atirou ao poste. Foi um aviso ao Paços que não ligou e 3 minutos volvidos, sofreu o segundo por Lisandro López (quem mais poderia ser?). Passe de Lucho para Farías que cruzou para o Licha arrumar, praticamente, com a questão. 18 golos em 19 jogos, são estes os números do camisola 9 do FC Porto que atravessa o melhor momento da carreira, sem dúvida. Mas não se pense que a equipa de Jesualdo Ferreira ficou por aqui. Continuou a saber explorar as dificuldades do Paços que nem conseguiu responder às investidas azuis-e-brancas. Quem agradeceu foi Hélton que teve uma noite muito calma depois da agitação de Gelsenkirchen. Aos 58 minutos, Tarik quase obrigava um jogador pacense a marcar na própria baliza mas a bola acabou por sair ao lado. O FC Porto continuava a conseguir jogar e agora, já efectuava boas jogadas de entendimento ao contrário do que sucedera na primeira parte. Para fim de festa, Lucho González fez mais um daqueles passes que só ele consegue fazer e isolou o muito criticado Mariano González que desta vez (uma das poucas vezes desde que chegou ao clube) acertou e aumentou o score para 3-0. Estava desarrumada a mobília pacense e assegurada mais uma vitória. Ficam a faltar 7 para o Tri.

MVP:

Lucho González-> Esteve nos três golos e foi dos únicos que acertaram numa primeira parte paupérrima do colectivo azul-e-branco. Fez assistências primorosas para o primeiro e terceiro golos, iniciou a jogada do segundo e teve pormenores de classe que pautaram o jogo dos portistas. Quando "El Comandante" está nos seus dias, o futebol praticado pelo FC Porto é de outra qualidade. Vai ser necessário que assim continue para enfrentar uma fase decisiva da época.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Noite germância congela fogo do Dragão.

O FC Porto perdeu por 1-0 no Arena Auf Schalke que tão boas recordações trazia aos dragões. Jogadores distraíram-se a apreciar o estádio e deram aos de casa meia hora de avanço. E foi o suficiente para trazer para a decisão da eliminatória, no Dragão, um resultado que tem tanto de ingrato como de ultrapassável.

O FC Porto ainda continua na luta por um lugar nos quartos de final.

Jesualdo fez alinhar João Paulo no lugar do lesionado Bosingwa, na tentativa de conseguir uma maior ligação entre sectores: João Paulo a poder juntar-se aos centrais, dando liberdade a Fucile para se juntar ao meio campo. Com Farías, Quaresma e Lisandro, pedia-se ao goleador mor do Porto que recuasse diversas vezes para vir buscar jogo ao meio campo.

Mas o resultado foi todo menos o esperado, os sectores desligados, a equipa inconsequente e Fucile com um verdadeiro pesadelo na primeira meia hora de jogo.
Começou cedo com Kurany, na recarga de um remate de Rafinha, após combinação que deixou a ala esquerda do Porto desfeita, fez o golo, volvidos apenas 4 minutos do jogo.
Durante mais 25 minutos o Porto continuou a não conseguir parar os ataques pela ala direita do ataque dos alemães e a não ter capacidade de ultrapassar a barreira criada por Jones e Ernst. E o resultado apenas não se avolumou devido a uma noite mais do guardião brasileiro Hélton.
Com a troca de flancos de João Paulo e Fucile, a equipa ficou mais tranquila defensivamente, começando a soltar-se mais no meio campo.

Na segunda parte, Lucho Gonzaléz tentou comandar a equipa com bons passes e uma excelente leitura de jogo mas um desinspirado Quaresma e um Farías (e mais tarde Tarik) pouco interventivo não davam seguimento ao ensejo de El Comandante. Apenas Lisandro estava na toada habitual, com muita garra e entrega a toda e cada bola.
Com o avançar do jogo o Porto foi criando mais e mais, com Lisandro, a cerca de 10 minutos do fim, a desperdiçar uma oportunidade enorme para empatar, a passe do Mustang.

Final do jogo com derrota pela margem mínima que, não sendo um bom resultado, deixa tudo em aberto para o jogo do Dragão, em Março.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Rumo a Gelsenkirchen com escala no Funchal

O Caldeirão dos Barreiros encheu na recepção ao Bi-Campeão, e os Dragões não defraudaram as espectativas dos milhares de adeptos que ajudaram a colorir de azul as bancadas de um dos recintos onde, tradicionalmente, mais dificuldades se colocam aos Portistas. Depois do desaire na Choupana, a Pérola do Atlântico foi novamente solo auspicioso para um conjunto que jogará hoje uma cartada decisiva na Liga Milionária.


Lisandro juntou mais dois à sua conta, que ascende já a 18 tentos no cômputo geral da competições nesta época.


Lisandro. Ainda e sempre Lisandro; correndo, forçando, marcando.
Quando tudo o resto falhar, haverá sempre Lisandro e seu tango em forma de luta para fazer do Porto, se não vencedor, pelo menos digno competidor em qualquer desafio.
À supremacia vincada pelo Marítimo no segundo terço da primeira metade respondeu o argentino em mais um movimento reservado à nobre classe dos que veêm em cada momento uma oportunidade. Codicioso, engendrou entre dois oponentes a nesga bastante para almejar com sucesso as redes de Marcos.
E a resistência sucumbiu.
Quaisquer instabilidades defensivas ou desacertos nas propaladas transições rápidas ficaram na sombra de uma segunda parte segura e bem conseguida, assente numa intermediária eficiente.
Farías deu lugar a Tarik, que logo fez questão de colocar os visitantes à segura margem de dois tentos, tratando Lisandro de encerrar as contas no culminar de uma excelente jogada, onde intervieram os nucleares Quaresma e Lucho.

Aos derradeiros minutos não deve descurar-se o mérito de servirem de prelúdio ao embate frente ao Schalke 04. Ao encontro foram adicionados Kaz e João Paulo, este último em novas funções de lateral direito, possíveis alternativas a ter em conta face ao esquema tipicamente alemão do oponente, baseado num meio-campo musculado e num ataque confiado a dois homens possantes.

Sem Bosingwa, baixa de vulto, os azuis-e-brancos regressam à AufSchalke Arena, palco de um dos seus mais sublimes triunfos, fará em Maio quatro anos.

Façam-nos sonhar!

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Goleada

Frente ao pior Leiria dos últimos anos, o F.C. Porto deu a resposta que se pretendia a uma derrota bastante injusta em Alvalade. Uma vez mais, começou por construir a vitória bem cedo, com golos madrugadores e decisivos. Por intermédio de Bosingwa chegou à vantagem aos 18 minutos, que numa boa iniciativa individual, desequilibrou (como é costume) e rematou forte para um grande golo (ainda que a bola tivesse sofrido um desvio irregular, mas não propositado, por parte de Farías).

Vantagem conquistada, os azuis e brancos procuraram então consolidá-la. Conseguiram-no com relativa “tranquilidade”, aos 24, 44 e 62 minutos, proporcionando ao público (que desta vez até se portou como deve de ser) um belíssimo tango. Farías bisou e pelo meio o incansável Lisandro López também fez o gosto ao pé. Jesualdo Ferreira tinha razão, o F.C. Porto aprendeu com a derrota e ficou mais forte.

F.C. Porto – Helton; Bosingwa, Pedro Emanuel (cap.), Bruno Alves, Fucile; Lucho (Mariano), Paulo Assunção (Castro), Raul Meireles; Lisandro, Farías (Adriano), Quaresma

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Quando a bola não entra...

Quando a bola não entra, o treinador é o culpado. Quando a bola não entra, o sistema de jogo não foi o mais eficaz. Quando a bola não entra, a culpa é da equipa de arbitragem. Quando a bola não entra, o adversário foi maduro a defender.

Por causa de uma semana insuportável não fui capaz de escrever este artigo mais cedo, como tal não irei fazer um resumo da partida mas, sim, dissecar alguns pontos.

O treinador é o culpado?

Sabemos que no futebol a culpa nunca morre solteira e geralmente é transferida para todos os elementos do grupo, mas a posição de destaque de alguns elementos permite-nos avaliar a sua actuação, entre eles estará sempre o treinador. Neste caso, não tenho problemas em afirmar que Jesualdo errou. Resolveu entrar em campo com um quarteto médio sem que a equipa tivesse rotinada nesse sistema, com dois elementos adaptados a posições que conhecem muito pouco: Cech e Quaresma. Para piorar a situação, o eslovaco, tem feito a pior época desde que está no Dragão - sempre desconcentrado, defendendo mal e não conseguindo fazer jogar (a capacidade de passe levou-o para o meio-campo, com Co Adriaanse, sem ela perde toda a utilidade nessa posição).

Jesualdo Ferreira não viu isto, como não viu que em Janeiro tinha o Sporting como adversário ou então não pensou na possibilidade de perder Tarik. Se tinha pretensões de jogar contra os Leões com um meio-campo de 4 elementos, não se percebe a saída de Leandro Lima - que seria útil como vértice mais avançado deste losango. Não se percebe da utilidade de Kazmierczak (jogadores defendido por mim, nas contratações de início de época), é um péssimo interior, por não conseguir sair a jogar, mas é um excelente trinco - por esses motivos parece-me a mais no Porto, que continua a não ter um 10 capaz de pegar no jogo e a depender unicamente de Lucho e Meireles para essas funções. Tem Rabiola, como tinha Leandro Lima – no “vamos ver…”.

A culpa de Jesualdo morre aqui e surge o seu mérito, que existe, apesar da derrota. Após os 2-0, a equipa teve 25 minutos de autêntico desnorte, com sucessivos passes longos e tentativas inúteis de praticar um futebol britânico - o meio-campo deixou de tentar receber a bola e a defenda ocupou lugar de destaque nos lançamentos longos. Neste período, o Porto só criou uma oportunidade e de bola-parada (aos 28 com o cabeceamento de Lisandro). Após o intervalo algo mudou, Jesualdo reparou no erro que fez e retira Marek Cech e após uma longa conversa no balneário (acredito eu) a postura da equipa mudou e voltou com outro espírito - acreditando no futebol mais apoiado -, regressando ao Porto dos primeiro minutos. De nada serviu, mas as ideias estiveram lá e o Professor mostrou que a equipa pode ter determinação para mudar resultados e que o jogo com o Sporting não é uma fase de menor rendimento, dando perspectivas para a continuação de um campeonato seguro e de uma participação honrosa nas competições europeias.

O sistema de jogo não foi o mais eficaz?

Verdade. É o único argumento que merece a minha aprovação. «Dá-me o meio-campo, que eu ganho o jogo», se é verdadeira esta afirmação, todo resto não é necessariamente falso, isto é, para ganharmos o jogo não é necessário que se tenha mais elementos em detrimento de outras zonas do terreno e muito menos quando uma equipa joga um futebol directo - como é o caso do Porto. É necessário, sim, que se actue noutras zonas e com 3 elementos o Porto podia ter explorado isso (como prova a segunda parte), usando a melhor forma de combater o Losango médio do Sporting - um centro do meio-campo para uma circulação de bola com objectivos de a jogar para as faixas.

Com o meio-campo de 4 elementos, os Dragões, nunca conseguiram ter coerência. Faltou apoio ao lateral, como se viu no segundo golo dos lisboetas, e capacidade de criar espaços com um jogador de vértice ofensivo - tipicamente deambulador, forte no um-para-um.

A culpa é da equipa de arbitragem?

Além dos expressivos 2 a 0, a actuação dos assistentes e do árbitro não foi prejudicial. Este argumento não invalida a má actuação do árbitro, como é típico por esse mundo fora, amarelos desnecessário e amarelos que ficaram por dar - que contribui sucessivamente para a manutenção de maus jogadores em clubes de topo e de maus jogos de futebol.

O que tem de prejudicial dar um vermelho, quando o único objectivo do agressor é matar a jogada? Alguém, em algum dia, me irá explicar...

O adversário foi maduro a defender?

De acordo com a imprensa, pouco conhecedora de futebol e às vezes demasiado atenta à estatística simplista, a defesa sportinguista foi o elemento mais forte da equipa. Nada mais do que uma mentira grande e gorda. Os latifúndios do futebol moderno, foram os espaços reduzidos de ontem, mas para os jogadores do Sporting os latifúndios foram os latifúndios tal foram os espaços concedidos na área e conto 7 oportunidades nessa zona (1º, 9º, 54º, 57º, 58º, 66º e 82º minuto) sem contar com o golo, em off-side, de Lisandro.

A competência (mérito pelo vitória) deve ser dada a quem merece: à determinação dos jogadores da casa e ao perceberem, desde cedo, que tinham bloquear as alas.

Conclusão:
Estes pontos têm como objectivo debater os temas que surgiram ao longo da semana e desmistificar alguns temas que são recorrentes, especialmente, na imprensa e na opinião de muita gente influenciada por esta. Debater alguns temas, criticando e analisando o jogo…

sábado, 19 de janeiro de 2008

Farás muito jeito, Ernesto.

7 meses depois de o FC Porto ter vencido o Desportivo das Aves por 4-1 no jogo do título (para o FC Porto) e da despromoção (para o Aves), novo embate entre estas duas equipas desta vez a contar para a Quinta Eliminatória da Taça de Portugal. Apesar da vitória em Chaves, frente ao Desportivo local, o fantasma Atlético ainda não tinha desaparecido mas a equipa fez questão de o afastar de vez ao vencer a equipa de Henrique Nunes por 2-0.

Nuno; Lino, Stepanov, João Paulo, Fucile; Bolatti, Kaz, Lucho; Mariano, Farías e Adriano. Foi este o onze escolhido para a recepção ao Aves. Um onze "revolucionário", já que destes 11 jogadores, apenas 2 (Lucho e Adriano) foram titulares frente ao Braga há uma semana atrás. E talvez por isso, foi o Aves a entrar melhor no jogo, aproveitando a lentidão e a falta de entrosamento dos jogadores do FC Porto. Aos 13 minutos, os visitantes poderiam ter chegado ao golo através de Mércio que surgiu de rompante a cabecear ao lado da baliza à guarda de Nuno.
A partir deste lance, o Porto despertou e partiu para cima do adversário, criando boas jogadas de entendimento que se perderam na hora do remate. Estava decorrida meia-hora de jogo quando Lino cobra um livre da direita para a entrada de cabeça de Ernesto Farías que assim, voltou a marcar e a descansar os adeptos e dirigentes em relação aos 4 milhões de euros pagos ao River Plate pelo passe deste avançado argentino de 27 anos. Até ao intervalo mais alguns remates dos azuis-e-brancos mas nenhum tipo de reacção por parte do Desportivo das Aves.

No regresso para a segunda metade do jogo, o FC Porto entrou disposto a dilatar a vantagem e a afastar as dúvidas em relação ao resultado. Uma boa oportunidade por parte de Farías e uma escorregadela de Kaz quando estava sozinho perante Rafael. O Aves continuava sem conseguir impôr o seu jogo e assustar o dragão. Só aos 75 minutos, Pascal colocou Nuno à prova. No minuto seguinte, Mario Bolatti (bela exibição) aparece na cara de Rafael mas não consegue dar a machadada final no jogo e Farías, 4 minutos depois, não consegue dar bom seguimento a um cruzamento primoroso de Ricardo Quaresma. E seria o próprio Ricardo Quaresma a fazer o segundo do Porto já em cima do apito final. Lisandro faz o passe para Quaresma que entra pela área e faz o golo calando os adeptos que insistem em assobiar um dos seus jogadores mais valiosos.

O jogo terminou e Jesualdo Ferreira viu a sua equipa carimbar a passagem à Sexta Eliminatória da Taça de Portugal com uma exibição nada deslumbrante mas suficiente para derrotar um adversário que pouco ou nada incomodou. 20 319 adeptos foram ao Estádio do Dragão, naquela que foi a segunda pior assitência de sempre do Dragão.

MVP:

Ernesto Farías-> Um golo, três boas oportunidades e vários pormenores de classe, nomeadamente algumas combinações com companheiros de equipa. Fez o segundo golo em outros tantos jogos e mostrou a todos que está aí para atacar a titularidade e para ajudar o FC Porto no que falta da época. Mais uma prova de que com tempo e oportunidades, os jogadores podem vingar e mais uma lição para os contestatários que adoram assobiar e dizer mal à primeira oportunidade.

domingo, 13 de janeiro de 2008

11!



11! São estes os pontos de avanço que o F.C.Porto leva para o 2º classificado, depois de uma bela exibição, coroada com 4 golos e uma boa dose de classe.


Jesualdo apostou na estrutura habitual do seu modelo predilecto,com a equipa que tem vindo a jogar regularmente, exceptuando-se apenas a inclusão de Adriano no lugar de Tarik, que seguiu para a CAN. Na verdade, esta pequena alteração parecia indicar que a equipa jogaria com Adriano fixo no meio e Lisandro como extremo. Na verdade, isto não ocorreu. Lisandro apareceu com muita liberdade, vagabundeando por todos as zonas do ataque, assim como Quaresma que apareceu muito solto tanto no meio como em zonas exteriores. Meireles e Lucho apareceram, igualmente muito mais em tarefas ofensivas, tanto na zona de finalização como descaindo nas faixas. Bosingwa, como vem sendo habitual, fez todo o corredor direito. No meio deste carrossel de jogadores e de trocas posicionais, Adriano foi, claramente o elo mais fraco, parecendo um pouco perdido e sem a forma física que lhe permitisse estar ao nível dos companheiros.

O Porto entrou muito forte, determinado a rectificar a exibição de reis contra naval, e logo aos 4 minutos, depois de uma infantilidade de Miguelito, Bosingwa arranca pela direita e cruza para o 12º golo de Lisandro. Boa antecipação a Paulo Santos e a Paulo Jorge.
Aos 10 minutos, novo golo. Desta vez, foi Lucho a cruzar para entrada de área com Raul Meireles a corresponder de cabeça. Clarividência e visão de jogo caracterizam bem a qualidade desta jogada. O Braga parecia desnorteado, sobretudo no lado esquerdo da sua defesa, e Manuel Machado emendou a sua aposta inicial, ao trocar César Peixoto por Carlos Fernandes. Com isto fez recuar Miguelito para defesa esquerdo, que até aqui tinha como principal função marcar Bosingwa. Em teoria poderia surtir efeito mas logo se notou o seu mau ensaio.
Como é apanágio do Porto de Jesualdo, a equipa (a ganhar por dois) limitou-se a gerir o resultado, baixando as suas linhas, criando perigo esporádico com as suas, já famosas, transições rápidas.

Na 2ºa parte, a equipa do Braga entrou mais determinada a sair do Dragão com outra imagem, chegando a criar perigo com um bom apontamento de Rolando Linz. Por seu turno, o Porto sem forçar, no seu estilo mais calculista, não deixava de criar oportunidades. Aos 63 minutos, Lucho atira ao poste depois de uma boa jogada de Lisandro sobre a esquerda.
Surge então a 1ª substituição no Porto: sai o apagado Adriano para a entrada da incógnita Farias. Tardou a mostrar a sua qualidade, mas o certo é que ontem entrou, completamente, transfigurado. Logo no 1º lance que protagoniza, recebe a bola dentro de área e oferece mais um golo a Lisandro. A seguir mais uma assistência de peito, mal invalidada, e finalmente, o golo! Com um remate em arco bem colocado, à entrada de área. Grandes 10 minutos deste jogador, que vêm certamente dar-lhe outra confiança e que fazem dele uma alternativa válida para o onze.

É, portanto, com grande segurança que Jesualdo encara agora o resto do campeonato, se pensarmos no avanço alcançado e na inexistente concorrência a nível nacional. Perante isto, todos os portistas têm de estar confiantes em mais um brilharete na Europa. Não podemos esquecer, contudo, que existem carências no plantel. Apesar do aplaudido regresso de Hélder Barbosa, Lucho e Meireles estão "proibidos" de não jogar.