quarta-feira, 3 de outubro de 2007

90+2': Quaresma gela o inferno de Istambul

A esperança esmorecia. Trinta mil almas outrora furiosas faziam já menção de abandonar o Inonu, palco de uma contenda equilibrada entre Besiktas e FC Porto, quando, em cinco meros toques, os Bi-Campeões portugueses expiraram um último fôlego para derrubar à traição um adversário que se havia já conformado com o nulo. Quaresma, herói de muitas batalhas, viu-se abençoado pela fortuna, guiando os Dragões à inestimável recompensa devida àqueles que, visitando o inferno, sobrevivem para contar a história.


A toada das últimas partidas persistiu na noite amena da cosmopolita capital turca, teimando a turma de Jesualdo Ferreira numa abordagem segura e calculista, desta feita sublinhada por cuidados redobrados face a um oponente que faz do factor casa o seu maior aliado. O figurino menteve-se, esquematizando-se o FC Porto em 4-3-3, onde foi evidente a diminuição física de Fucile, regressado de paragem, e Tarik, ainda a cumprir o Ramadão.
Talvez intimidados pela temível atmosfera nas bancadas, os Portistas entraram vacilantes, numa postura que não se dissipou até ao intervalo. Ainda que controlando o jogo, os visitantes concediam inesperadas facilidades nos lances de bola parada, obrigado o guardião Hélton a exibir-se ao mais alto nível a fim de manter as suas redes invioláveis. Do outro lado, era Meireles quem ameaçava com relativo perigo por intermédio de remates de longa distância, carrilando-se todo o jogo ofensivo pelo flanco esquerdo, onde, sozinho, Quaresma lutava contra vários adversários, desapoiado por Fucile e carecendo de soluções de passe face à inércia de Tarik e à desinspiração de Lisandro e Bosingwa. Era um Porto de contra-ataque, à procura de castigar ao máximo os erros do Besiktas tal como sucedera em Moscovo e Hamburgo na campanha anterior da Champions.
O interregno alterou o curso dos acontecimentos. Mesmo sem recorrer a substituições, Jesualdo foi capaz de conferir aos Dragões um pouco mais de acutilância, espraiando definitivamente a contra-ofensiva mediante transições rápidas e venenosas que Meireles, Quaresma e Adriano foram sucessivamente desperdiçando.
Foi já ao cair do pano, depois de novo ameaço turco a que Hélton superiormente correspondeu, que, numa jogada em que o coração pesou tanto como a cabeça, Ricardo Quaresma aproveitou um remate falhado de Lucho Gonzaléz - nova exibição pouco exuberante, ainda que influente, do capitão - para oferecer os primeiros três pontos aos azuis-e-brancos na edição 2007/08 da Liga dos Campeões.

O FC Porto ocupa agora a segunda posição do seu grupo, com dois pontos de atraso para o Marselha e três de avanço sobre o Liverpool. Esta vitória constituiu a terceira consecutiva dos Bi-Campeões fora de portas no âmbito da fase de grupos da Liga Milionária bem como a oitava partida consecutiva sem conceder golos aos seus oponentes.

Onde quer que ele esteja, esta vitória é dedicada a Frederico Barrigana, lendário guarda-redes do Futebol Clube do Porto, falecido há poucos dias. A sua memória pesou certamente na mente de todos os Portistas. Que descanse em paz.

domingo, 30 de setembro de 2007

O Xeque-Mate do Licha

Seis vitórias em seis jogos. Eis o percurso, até ao momento, do Futebol Clube do Porto neste campeonato. No dérbi da Invicta, os comandados de Jesualdo Ferreira vingaram a eliminação da Taça da Liga aos pés do Fátima. Lisandro voltou a ser decisivo e já leva 6 golos em apenas 5 jogos. Na época passada, marcou 7 em 26 jogos. Sintomático...


Depois da revolução operada no onze inicial em Fátima, o Dragão voltou a jogar com os seus artistas habituais. Helton voltou à baliza depois de 5 jogos de ausência, Stepanov fez a sua estreia a titular para o campeonato e Tarik voltou ao onze apesar das evidentes dificuldades físicas provocadas pelo Ramadão.
Os azuis-e-brancos entraram em campo sabendo do empate no dérbi lisboeta e portanto, já sabiam que uma vitória deixaria Sporting e Benfica a 7 e 8 pontos da liderança, respectivamente. E a verdade é que o Porto mostrou que queria resolver as coisas cedo. Aos 4 minutos, Carlos não consegue agarrar um livre cobrado por Quaresma e Lisandro com a baliza aberta envia a bola para as nuvens. Apenas 11 minutos depois, uma espécie de repetição. Quaresma bate o livre, Carlos não agarra a bola, esta sobra para Lisandro que desta vez não desperdiça e coloca o FC Porto em vantagem. Após o golo, o FC Porto adormeceu à semelhança do que tem acontecido nos últimos jogos. Mas o Boavista não aproveitou e o resultado manteve-se inalterado até ao intervalo.

Para o segundo tempo, entrou Leandro Lima em detrimento do desgatado Tarik Sektioui. Mas a verdade é que ainda ninguém avisou Jesualdo Ferreira que o médio brasileiro é um número 10 e não um extremo.
Quanto ao jogo, tudo na mesma, o Porto não acordou durante o intervalo e continuava a dar espaços aos jogadores do Boavista. Esporadicamente, criava perigo como aconteceu aos 67 minutos com Raúl Meireles a rematar com força mas ao lado da baliza de Carlos. 3 minutos depois, Bangoura trabalha bem, entra na área mas remata fraco para as mãos de Helton. O público do Dragão não gostou e assobiou. Mas apenas 6 minutos depois, o público do Dragão ia afastar o sono imposto pelo enfadonho estilo de jogo da equipa e iria festejar o golo da tranquilidade. Segundo do Porto e o segundo de Licha. Cruzamento de Cech ao encontro de Lisandro que dominou e não teve contemplações na hora de acabar com o jogo. Até ao apito final de Artur Soares Dias, pouco mais há a destacar.

Com esta vitória, o FC Porto tem o melhor arranque de campeonato desde 1990/91 e já leva uma excelente vantagem sobre os seus rivais directos. O que todos os portistas esperam é que a equipa tenha aprendido com os erros do passado e que não volte a desperdiçar uma vantagem confortável como fez na época transacta.

MVP:

Lisandro-> Últimos 3 jogos para o campeonato, 5 golos marcados pelo FC Porto, 5 golos marcados por Lisandro López. E está tudo dito no que toca à importância do avançado argentino no excelente início de época. Mas a verdade é que Lisandro não é apenas um goleador. Para além de marcar, corre, assiste e dá tudo em todas as jogadas. Está em grande forma e pela amostra, não está com vontade de abrandar o ritmo.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

O Milagre de Fátima

Ontem assistimos a uma das piores exibições do Porto nos últimos tempos. Foi um jogo totalmente desinspirado e até constrangedor por parte do bicampeão Nacional depois de um arranque histórico de Temporada. Jesualdo e a sua turma voltaram a menosprezar um adversário menor, dando a entender que a Taça da Liga não é uma competição que interesse minimamente.



Jesualdo apresentou, algo surpreendentemente, 7 reforços no onze inicial: Stepanov, Lino, Kaz, Bollatti, Leandro Lima, Mariano Gonzalez e Farias transitando ainda os recentemente titulares Nuno, Fucile e João Paulo e ainda um ex júnior: Rui Pedro; encaixados no habitual 4-3-3. Foi, contudo, muito infeliz nessa opção. Logo nos primeiros minutos notou-se um Porto lento, sem ritmo, a fazer lembrar a pré época, e um Fátima ultramotivado, muito acutilante, sobretudo pelo lado direito, com Marco Airosa e Saleiro a fazer estragos. Por aqui se via que a defesa iria ter muitos problemas. Lino continua a mostrar porque nem nos convocados tem entrado.
Da parte do Porto, na apatia geral, sobressaiu Leandro Lima que tentava pegar no jogo, mas estava constantemente marcado e sem apoio. No ataque, Rui Pedro mostrou que pode ser uma boa aposta de futuro, empenhado e mostrando alguma habilidade.
Chegava-se assim ao fim da primeira parte, com um nulo constrangedor para o Porto, mas justificado pelo Fátima, sempre atrevido e bem organizado.

Na 2ª parte, saíram Kazmierckzack, que pouco jogou , além de dois remates relativamente perigosos, parece-me cada vez mais que não tem categoria suficiente para ser utilizado com assiduidade; e Rui Pedro, entrando para os seus lugares Marek Cech e o regressado Adriano. O Porto mudou assim o seu esquema táctico, para um 4-4-2 losango com Bollati e Leandro a manterem-se nos vértices defensivo e ofensivo, com Cech e Mariano nos flancos. Estas alterações provocaram um ligeiro melhoramento na qualidade e velocidade de jogo do Porto, com Leandro Lima, logo a a abrir, a estoirar a barra da baliza defendida por Pedro Alves. O Fátima, agora mais em contra-ataque não deixou de incomodar, e à passagem dos 60 minutos criou 2 situações de perigo iminente, com Nuno e Stepanov, o melhor na defesa, a oporem-se com eficácia. Edgar rendeu Farias, muito inadaptado e ainda muito longe do que produziu na Argentina, protagonizando logo uma grande situação, dominando a bola de forma excelente e rematando de primeira. Parece-me que tem melhorado neste inicio de época e merece ser opção regular. Com o aproximar do fim, a equipa ? do Porto foi incapaz de resolver o jogo a seu favor e foi com naturalidade que se chegou aos penalties. Aqui, a história não foi diferente, os jogadores pareciam indiferentes ao desfecho dos acontecimentos, tanto que os falhanços de Lino e Mariano (ainda bem que não foi comprado!) pareceram completamente displicentes. O Fátima passou assim à fase de grupos, no dia mais glorioso da sua história.

Em conclusão, fica mais uma vez evidente a falta de capacidade motivadora de Jesualdo, assim como a desequilibrada gestão do plantel, é incompreensível como lança os jogadores menos utilizados de uma só vez, sem manter pelo menos um elemento habitualmente titular no meio campo. Isto criou uma tremenda falta de entrosamento, sem desiquilíbrios, aliada a uma brutal inoperância dos ditos “reforços”, que naturalmente condenou o jogo a um marasmo por demais evidente. Contudo, o principal problema foi a atitude pouco profissional da equipa, que envergonha e ultraja todos os adeptos que presenciaram e assistiram à partida. Mais uma vez, o fantasma “atlético” voltará a pairar no Dragão.


domingo, 23 de setembro de 2007

Lichado

O FC Porto soma a sua quinta vitória no campeonato em cinco jogos, após uma complicada vitória sobre o Paços de Ferreira na Mata Real por dois golos sem resposta. O Bi-Campeão Nacional continua assim, líder isolado na classificação.

Num campo tradicionalmente difícil para o F.C. Porto os azuis e brancos demonstraram com uma boa atitude que o objectivo do Tri-Campeonato está a ser encarado com unhas e dentes do primeiro ao último jogo da competição.

O F.C. Porto chegou à vantagem bem cedo, aos 11 minutos, após um lance de insistência de Bruno Alves, que de forma fantástica cruza da esquerda para Lisandro que por sua vez controla e fuzila, de primeira, o guarda-redes Peçanha. Aos 67 minutos, o avançado argentino bisou e resolveu a partida, com assistência de Leandro Lima.

Durante o encontro destaque para uma segurança defensiva o quanto baste, mas longe de ser satisfatória. Um meio campo musculado, que esteve bem neste jogo frenético. Ricardo Quaresma voltou a estar de novo em evidência, não só pelo seu trabalho ofensivo como também pelo defensivo. Mas o Homem do Jogo foi inquestionavelmente Lisandro López. O argentino bisou e transmitiu durante todo o jogo uma imensa garra à equipa. Quanto a caras menos frequentes:


João Paulo continua a procura da melhor performance, mas já dá mostras de querer fazer uma dupla sólida com Bruno Alves.

Na baliza, Nuno esteve sempre seguro e concentrado.

Razoável exibição de Edgar que teve o seu momento alto numa flagrante ocasião de golo, onde um grande cabeceamento foi sacudido para canto, de forma exemplar, por Peçanha. Fora este lance, evidenciou clara facilidade no jogo aéreo e espírito batalhador.

Bolatti entrou em campo para render Raúl Meireles e cumpriu bem a sua função, não só a defender como ainda teve tempo para lançar de forma rápida um ataque (que poderia ter sido perigoso não fosse alguma falta de entendimento entre Ricardo Quaresma e Leandro Lima)

E este último, Leandro Lima, continua a ambientação ao futebol português (embora o jogo não tivesse sido o melhor para as suas características). Anderson também sentiu inúmeras dificuldades na época transacta.


Concluindo, o F.C. Porto continua a vencer e a somar pontos que na época passada não conseguira. A 13 de Maio de 2007 o F.C. Porto empatou na Mata Real, adiando para a jornada seguinte, no Dragão, a conquista do Bi-Campeonato. Nessa altura perdera dois pontos, hoje não deixou escapar nenhum. Nesta jornada conseguiu também distanciar-se dos mais directos concorrentes pois ambos empataram. O Sporting encontra-se agora a 5 pontos e o Benfica a 6 pontos.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Pacto de não-agressão

O Porto iniciaria a Champions deste ano com um enorme peso, o de não vencer o jogo inaugural há 4 épocas (três últimos em casa). Já os reds tentavam o vencer pela primeira vez uma equipa portuguesa no actual formato da Liga dos Campeões e ganhar na invicta, algo que nenhuma equipa inglesa tinha conseguido quando o adversário se veste de azul e branco. Para isso, o Liverpool entraria com Pepe Reina; Arbeloa, Finnan, Hyypia e Carragher; Mascherano, Gerrard, Pennant e Ryan Babel; Torres e Kuyt. Por sua vez, os Dragões jogariam com a mesma equipa da última jornada do campeonato, à excepção de Fucile que entrava no lugar de Marek Cech.

Que o jogo foi pobre, qualquer adepto que saiu do Dragão não terá dúvidas, mas se se perguntar, se elas existem quanto à capacidade das equipas para darem mais, essas assaltam-nos a mente. De tal forma que, aquele que deve ser o primeiro objectivo de um onze quando entra em campo passou ser o segundo ou o terceiro. Um Liverpool que fez com que Shankly e Paisley se revirassem na tumba, tal foi a forma catenacciana de jogar. Já o Porto que pouca velocidade mostrou, foi quase sempre incapaz de transpor as duas linhas defensivas do Liverpool e a situação até piorou (inexplicavelmente) quando se viu em superioridade numérica.

Na etapa inaugural, o clube da invicta entraria determinado a fazer rapidamente o primeiro tento na partida, resultando num remate perigoso de Lisandro, após uma intercepção de bola de Ricardo Quaresma e mais tarde na efectivação dessa vontade por Lucho de grande penalidade, sofrida por Tarik Sektioiu. O domínio era tal que oito minutos feitos de jogo a vantagem justificava-se, mesmo assim, após erro defensivo, o Liverpool chegaria ao empate. Após o golo inglês, ficariam a faltar 30 minutos para o intervalo, mas os dragões seriam incapaz de responder - não por falta de bola, mas por incapacidade de a fazer jogável, tal era o nervosismo na troca e a inutilidade da lateral. Neste período destacavam-se pela negativa os 4 elementos das alas, em especial os portugueses Bosingwa e Quaresma.

A segunda-parte recomeçaria sem nenhuma alteração do lado portista e a equipa voltava desejosa da vitória, mas seria de pouca dura. A expulsão de Pennant, após duplo-amarelo, condicionaria os reds e, inexplicavelmente, o Futebol Clube do Porto. A segurança foi tal que os jogadores portistas não sentiram necessidade de garantir a vitória - já que o empate estaria afiançado - e de um momento para o outro as duas equipas fizeram um pacto de não-agressão. Se esta posição seria compreensível do lado inglês, já do português é enigmático.

O jogo seguiria para o fim e o má qualidade acentuava-se, especialmente após as trocas feitas por Jesualdo - se a entrada de Mariano González se compreende, já a sua colocação no meio-campo é incompreensível, tão incompreensível como ter Ernesto Farías como única opção no banco e não se percebe como o Porto (satisfeito, certamente) acabou o jogo só com duas substituições e que Kazmierczak não tenha entrado, após sucessivos cantos e livres.

Como argumento dos jogadores e do treinador, temos o empate e uma forma mais ou menos idiota, que se esconde no pragmatismo, de olhar para este resultado - é certo que não põe em causa a qualificação e que a equipa empatou com o principal candidato ao primeiro lugar do grupo, mas não será igualmente certo que, no ano passado quando encontramos o Chelsea arrependemo-nos de ter empatado com o Arsenal e com o Chelsea, não é verdade que a eliminatória se podia ter decidido no Dragão?!

domingo, 16 de setembro de 2007

Falta raça, falta querer.

FC Porto soma a 4ª vitória no campeonato em quatro jogos, após vitória sobre o Marítimo por 1-0 e é líder isolado. Bom reultado, exibição fraquíssima.

A vitória do FC Porto é um facto a destacar e saudar mas começa a ser deveras preocupante a bitola exibicional esta época. Os jogadores parecem arrastar-se em campo e o treinador não dá ares de saber motivar a equipa.

Ontem assistiu-se uma vez mais a isso mesmo. Exibição fraquíssima, com excepção dos primeiros minutos. Situação que se agravou após a marcação do golo. Os jogadores denotavam conformação com o perigoso resultado que se verificava, o treinador dá a entender estar contente também. Só assim se consegue compreender a anulação da entrada em campo de Leandro Lima no momento do golo. Claramente uma falta de ambição gritante.
O único jogador que mostrou uma raça à FC Porto iniciou o período do Ramadão, cumprindo com as regras vigentes da sua religião. O que poderá ser preocupante, já que lhe poderá retirar o fulgor que vem apresentando. Um eventual cansaço é a única razão que se consegue descortinar da sua saída ao intervalo.

Restou-nos a alegria do golo, porque quase tudo o que veio a seguir foi mau demais. Falhas defensivas gritantes, que o Liverpool não as perdoará, desleixo no passe, falta de motivação nos cortes, falta de vontade em fazer pressão a todo o campo. Mau demais. E só não foi tudo mau porque ao menos vimos um pouco de Leandro Lima e deu para verificar a qualidade que ele pode trazer ao nosso futebol.

Coisa que não consigo entender é a falta de aposta no Edgar. Chegou logo no início e não tem oportunidades. Postiga que esteve para ser dispensado, quando foi necessário jogou. Farias, que esteve lesionado, faz uns treinos durante esta semana e joga à primeira oportunidade. Não é, no meu entendimento, assim que se motiva um plantel.

Parece-me faltar no balneário, por exemplo, um Vítor Baía. Pedro Emanuel está lá, mas nos últimos jogos não participou e isso notou-se na atitude e na entrega.
Falta raça, falta querer. Não é isso que o povo portista está habituado. À atenção de Jesualdo mas sobretudo de Pinto da Costa.

Boa sorte para o jogo contra o Liverpool. Mas façam-no com mais raça e com mais querer. É isso que nos dá orgulho em ser portistas.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Vitória gorda em jogo morno

O FC Porto jogou este noite em Leiria, no Estádio Dr. Magalhães Pessoa contra o União local, e garantiu a 3ª vitória para o campeonato esta época, por 3-0. Este jogo vinha na sequência da visita ao Municipal de Braga e à recepção ao Sporting, como parte de um início de calendário muito complicado, que não impediu no entanto o FC Porto de somar todos os 9 pontos possíveis até ao momento.



A antevisão do jogo gerou alguma polémica, por o União ter pedido o adiamento da partida devido a ter jogado em Israel esta semana, e o FC Porto ter recusado este pedido, com base no período de descanso entre a partida em Israel e este jogo estar dentro do permitido pelos regulamentos. Outro assunto que dominou as atenções antes do jogo foi as lesões de Hélton e Pedro Emanuel, que levou a que Jesualdo Ferreira apostasse em Nuno e João Paulo (e não Stepanov) como titulares. Sendo assim, o Porto alinhou com a seguinte equipa: Nuno; Fucile, Bruno Alves, João Paulo e Bosingwa; Paulo Assunção (Leandro Lima 70'), Raúl Meireles e Lucho González; Quaresma, Tarik Sektioui (Mariano González 65') e Lisandro López (Edgar 75'). O Leiria jogou com: Fernando; Éder, Bruno Miguel, Laranjeiro, e Éder Gaúcho; Lukasiewicz (João Paulo 51'), Faria (Toñito 82') e Tiago; Ngal (Cadu 48'), Sougou e Paulo César.

Logo ao abrir do jogo (aos 3 minutos) houve um lance polémico: Bosingwa introduziu a bola na baliza de Fernando, a passe de Bruno Alves, mas o lance foi erradamente anulado pela equipa de arbitragem que considerou que Bruno Alves estava em fora-de-jogo. O FC Porto no entanto não baixou os braços e era a equipa que causava mais situações de perigo, mas sempre num ritmo muito lento e com os principais criadores de perigo muito desinspirados. Conforme a 1ª parte decorria a equipa ia cada vez mais descendo de produção, e o Leiria chegou a incomodar Nuno com um cabeceamento perigoso de Sougou, mas o FC Porto marcou o primeiro golo no momento em que apresentava menos produção atacante: no minuto 36, através de Tarik Sektioui, que recebeu dentro da área a bola no peito e ainda teve tempo para a desviar para o fundo das redes, após centro de Quaresma.

De novo logo no re-início do jogo, mais uma jogada polémica do qual resultou o 0-2: um livre é mal marcado por Quaresma, e Bruno Alves insiste na jogada, indo à linha cruzar para o cabeceamento vitorioso de Lisandro Lopez. No entanto, as imagens parecem indicar que a bola já tinha ultrapassado a linha de fundo no momento do cruzamento, e desta vez nada foi assinalado pela equipa de arbitragem, que "corrigiu" assim o erro da 1ª parte com novo erro. Este golo desanimou muito a equipa de Leiria, que até ao fim do jogo nunca mais iria criar perigo, e o FC Porto dominou completamente a 2ª parte, chegando mesmo ao terceiro golo no minuto 64 através de João Paulo, que se antecipou aos adversários ao 1º poste após livre de Quaresma (desta vez bem apontado!), cabeceando para o 0-3. Este golo matou completamente o jogo, que se arrastou em ritmo lentíssimo até ao fim, havendo tempo para Jesualdo lançar em campo os reforços Mariano Gonzalez, Leandro Lima e Edgar, e para o FC Porto desperdiçar mais um par de boas oportunidades, com Meireles isolado a permitir a defesa de Fernando, e Mariano González a fazer o mesmo já perto do fim do jogo.

No final, vitória por 3-0, indiscutivelmente merecida, mas este esteve longe de ser um jogo entusiasmante, dado que a prestação na 1ª parte não foi convincente (embora tenha sido eficaz), notando-se até uma excessiva calma na organização de jogadas atacantes; e na 2ª parte o Leiria claramente baixou os braços, deixando espaço para o FC Porto se afirmar como a única equipa em campo. Mas o que conta é o resultado e os 3 pontos, que somam aos outros 6 conquistados anteriormente, e continuamos a liderar o campeonato a par com o Marítimo.

Análise individual:

Nuno - defendeu um remate perigoso de Sougou, e no final do jogo um par de remates de longe bastante inofensivos. Não teve que intervir mais.

Fucile - algo inconstante a defender face a Ngal, tendo sido ultrapassado pelo camaronês algumas vezes e obrigado a cortes no último momento após ter ido de primeira contra a finta do extremo. Depois de lesionar o adversário (num lance em que não parece ter qualquer intenção de o fazer), nunca mais teve problemas. A atacar esteve bem, e obrigou a que cometessem sobre ele algumas faltas perigosas.

Bruno Alves - vários cortes importantes, antecipou-se aos adversários sempre que necessário, mostrou ser o líder da defesa. Mostrou iniciativa atacante nos 2 lances polémicos da partida. Exibição sem nada a apontar.

João Paulo - nunca comprometeu lá atrás, e na 2ª parte teve oportunidade para criar perigo em 2 lances de bola parada, marcando golo num deles. Aposta ganha por parte de Jesualdo Ferreira para este jogo, o ex-leiriense convenceu-me, parece-me ser boa alternativa a Pedro Emanuel. Resta saber o que vale Stepanov.

Bosingwa - subiu pouco na 1ª parte, talvez para se precaver da velocidade do perigoso Sougou - certo é que a velocidade deste nunca apareceu em jogo. Na 2ª parte foi aos poucos aparecendo mais no jogo, e terminou como o maior desequilibrador da equipa.

Paulo Assunção - fez bem as compensações da defesa, embora parece-me que é ele que está a marcar (mal) Sougou no único lance de perigo do Leiria na partida. Saiu quando já não precisávamos de um trinco em campo.

Raul Meireles - muito certo no passe e empenhado. Nos primeiros minutos era o jogador que mais se destacava, depois desapareceu um pouco, mas de novo na parte final esteve em evidência, tentando por várias vezes o remate de longe, mas falhando uma ocasião em que esteve isolado frente ao guarda-redes.

Lucho González - começou o jogo organizando o jogo de uma posição estranhamente muito recuada na qual não conseguia fazer a diferença, depois na 2ª parte tentou uma série de aberturas para desmarcar os seus colegas do ataque - e algumas foram bem sucedidas. Terminou o jogo a fazer de falso Paulo Assunção. Boa exibição do argentino.

Quaresma - muito desinspirado, falhou inúmeros livres e cantos, quase nunca conseguiu desequilibrar, mostrou-se muito longe da forma ideal. E mesmo assim acertou em 2 lances, fazendo 2 assistências, sendo assim mais uma vez decisivo para o clube. Quantos jogadores conseguem fazer a diferença mesmo jogando mal?

Tarik Sektioui - com o volume de jogo todo na ala esquerda, com o objectivo de aproveitar o talento de Quaresma, a bola muito poucas vezes lhe chegava à direita. Quando lá chegou, marcou golo com muita calma e frieza. Acabou por ser eficaz quando foi necessário, o marroquino continua surpreendentemente a justificar o lugar no 11.

Lisandro López - muito aguerrido, não deu descanso aos adversários como é seu hábito, recuperando bolas que muitos avançados não recuperam. E marcou um golo, que é o que se pede a quem joga a ponta-de-lança. No entanto, foi apanhado demasiadas vezes em fora-de-jogo.

Mariano González - voltou a não entrar bem no jogo, não conseguiu criar perigo e falhou ainda uma boa oportunidade para marcar golo. Ainda é cedo para considerá-lo um "flop", mas até ao momento tem estado abaixo das expectativas.

Leandro Lima - tentou dar ritmo a um jogo que estava morto. Voltou a mostrar bom toque de bola, rapidez de execução e visão de jogo.

Edgar - teve pouco tempo para mostrar o que vale, das poucas vezes que tocou na bola combinou bem com os colegas de equipa.

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Champions League 2007/2008 - O Sorteio

As sortes, que poderiam ter sido madrastas, colocaram no caminho do Futebol Clube do Porto um conjunto de adversários que, teoricamente, obrigará os Bi-Campeões Nacionais a impor o seu estatuto, garantindo uma das duas posições cimeiras que abrem as portas para a fase de eliminação directa.



Liverpool, Olympique de Marselha e Besiktas são os adversários dos Dragões na 1ª Fase da Liga Milionária.




Trata-se, contudo, de um grupo bem mais traiçoeiro do que à primeira vista possa aparentar, destacando-se a curiosidade de as três formações contarem com adeptos fervorosos, capazes de gerar ambientes particularmente agrestes para os seus opositores.

O Liverpool é um colosso, vice-campeão europeu e naturalmente favorito, fortemente reforçado com as aquisições de Torres, Voronin, Babel e Lucas e procurando sedimentar a posição de força que vem vincando no panorâma futebolísitico europeu, tendo marcado presença em duas das derradeiras três finais da Liga dos Campeões.

O Marselha é um grupo de atletas - que não necessariamente uma equipa - bastante forte. Contando com Rodriguez e Givet, ex-Mónaco, e o lateral africano Taiwo na defesa, Nasri e Zenden no meio-campo e um par de avançados com créditos, constituído por Cissé e Niang. A ter em conta, obviamente, ainda que não aparentem grande entrosamento na Liga, onde ocupam uma decepcionante 14ª posição.

O Besiktas é uma equipa turca e isso é, por si só, revelador. Dificilmente se poderia escapar das equipas turcas e gregas, que criam ambientes extremamente hostis, ou das equipas de leste, endinheiradas e beneficiando de climas brutais para os visitantes. Para além de Tello, há a destacar mais um antigo atleta do Mónaco, Cissé, e um trio de sul-americanos de razoável valia no ataque. Não constando da nata do futebol do velho continente, será, ainda assim, complicadíssimo passar em Istambul.


Já o calendário da prova é extremamente desfavorável aos Portistas. A recepção ao Liverpool deveria encerrar e não abrir esta fase, permitindo teoricamente aos azuis-e-brancos resolver as contas do apuramento a tempo de enfrentar tal embate sem grande pressão. Assim sendo, e considerando as subsequentes deslocações a França e à Turquia, existe o sério risco de se chegar a meio da competição em posição delicada, necessitando impreterivelmente da vitória nos dois jogos em casa e, quiçá, pontuar em Anfield.

Estou em crer que o Futebol Clube do Porto somará cerca de nove pontos, conseguindo, em princípio, a almejada qualificação.

Votos ainda de boa sorte às restantes formações lusitanas em mais uma campanha que se deseja de prestígio pelo futebol nacional.

domingo, 26 de agosto de 2007

Fez-se justiça pela lei de Meireles.

Um golo de Raúl Meireles, aos 10 minutos do segundo tempo, deu ao Porto os três pontos nesta partida. Sem fazer uma exibição de encher o olho, o Porto venceu, sem grandes sobressaltos, uma desinspirada equipa leonina. Com duas jornadas decorridas, o Porto leva já uma saborosa vantagem para os rivais de Lisboa.


Raúl Meireles a comemorar o golo solitário que deu os 3 pontos.


Com um onze titular onde a única "meia-surpresa" era a titularidade de Tarik, sendo assim Lisandro reposicionado para o meio, o Porto dominou durante toda a primeira parte, sem precisar de esticar muito o ritmo.
Nos dez primeiros minutos, jogo atípico, com muitos passes falhados, de parte a parte. Tarik assustou na sequência de um canto, cabeceando para fora, livre de oposição. O mesmo Tarik esteve bem em jogadas de envolvimento com Fucile, pelo flanco esquerdo, chegando mesmo a proporcionar a Meireles a hipótese de abrir o activo, mas a defesa leonina desviou o esférico que saiu do alcance do médio português.
Ainda antes do fim da primeira parte, Quaresma atirou a bola à barra, num livre directo na esquerda e, o mesmo Quaresma, cruzou a bola, pondo a nu, pela primeira vez, a intranquilidade de Stojkovic, ao sair-se de forma pouco decidida. No entanto, Lisandro não conseguiu aproveitar o erro do sérvio.

Ao intervalo, Tarik saiu para dar o lugar a Postiga, que entrou para o lugar de ponta de lança, passando Lisandro a jogar, como é hábito, no corredor direito.
No início da segunda parte o Sporting entrou bem, mas foi sol de pouca dura. O recém entrado Postiga recebeu bem, de peito, e rematou de muito longe, para apertada defesa de Stojkovic. Na recarga, Quaresma falhou por muito o alvo.
Stojkovic protagonizou o erro da noite quando, após atraso de Polga, recolheu o esférico com as mãos, proporcionando assim, um livre indirecto ao Porto, a escassos metros da baliza leonina. Meireles aproveitou para marcar o primeiro e único da noite. Estavam decorridos 54 minutos.

Após o golo marcado, o Porto não se encolheu, continuando a tentar aproveitar possíveis distrações da defesa leonina.
Aos 65 minutos saiu Meireles, o marcador do golo, para a entrada do argentino Mariano González. Pouco depois o Sporting esboçou a reacção, com remate de Moutinho que deu canto. Na cobrança, Vukcevic, em posição previligiada, rematou, mas contra Bosingwa.
O Porto, continuou a pressionar, apostando, diversas vezes, nos remates de longe, mas sem sucesso.
A 13 minutos do fim, Paulo Bento muda o esquema táctico, retirando os laterais, passando assim a jogar num esquema de 3 centrais, com Veloso a recuar para a defesa.
Jesualdo Ferreira também mexeu, colocando Bollati no lugar de Lisandro.
Perto do fim, Hélton falhou uma bola aparentemente fácil, mas Djaló, com um ângulo de remate difícil, não conseguiu mais que um remate às malhas laterais da baliza azul e branca.

No final do jogo, os portistas saíram justos vencedores, vingando a derrota do passado dia 11 de Agosto, no Municipal de Leiria, por uma bola a zero, em jogo a contar para a Supertaça Cândido de Oliveira.

sábado, 18 de agosto de 2007

SC Braga 1-2 Ricardo Quaresma

Num teste difícil, os comandados de Jesualdo Ferreira começaram a defesa do título da melhor maneira ao vencerem o Sporting de Braga por 2-1 com dois golos de Ricardo Quaresma. O Harry Potter do Dragão cobrou de forma exemplar dois livres directos. O FC Porto consegue assim ganhar o primeiro de três jogos complicadíssimos, apesar de não ter rubricado uma grande exibição.


Teste de fogo. Uma excelente definição para o jogo do FC Porto em Braga frente ao Sporting local, agora treinado por Jorge Costa, um dos mais emblemáticos jogadores da história do FC Porto. Sete dias depois da derrota na Supertaça, 3 mudanças na equipa do FC Porto. A entrada de Lucho González para o meio-campo, o recuo de Cech para a posição de lateral-esquerdo e a entrada de Tarik para o lugar do castigado Lisandro López. Quanto ao Braga, Jorge Costa colocou 4 caras novas no onze titular.

Era assim que as equipas iam atacar este jogo que começou frenético, com o FC Porto a querer mandar no jogo desde início mas com uma equipa do Braga atrevida e a querer chegar à baliza de Hélton. No entanto, a primeira grande ocasião de perigo só surgiu aos 28 minutos com Adriano a rematar em movimento de rotação após uma excelente arrancada de Bosingwa. Apenas três minutos volvidos e eis que Quaresma, de livre directo, coloca o Porto em vantagem no marcador. Um excelente remate de Ricardo Quaresma mas com Dani Mallo a ficar "desfocado" na fotografia. A reacção da equipa de Jorge Costa foi ténue e até foi o FC Porto, claramente moralizado com o golo, a dominar até que João Ferreira apitasse para o intervalo.

Na segunda parte, o Braga apareceu mais ofensivo e aos 49 minutos, chegou ao golo do empate após boa jogada de entendimento entre Vandinho e João Pinto, tendo este último finalizado perante a inoperância da defensiva azul-e-branca. E o jogo animou depois do golo do veterano número 10 bracarense. Wender e Hélder Postiga, respectivamente, tiveram hipótese de colocar as suas equipas em vantagem mas o empate insistia a ficar no Municipal de Braga. Aos 63 minutos, Jesualdo Ferreira mexe na equipa, fazendo entrar Mariano e Leandro Lima para os lugares de Tarik e de Lucho González. Com a entrada destes dois jogadores, o FC Porto cresceu e foi mais perigoso. Prova disso, foi o lance de Raúl Meireles aos 71 minutos que podia mesmo ter marcado num excelente remate de fora da área defendido de forma exemplar por Dani Mallo. E a 7 minutos do fim do tempo regulamentar, novamente Quaresma que aproveitou um livre lateral para colocar a bola no fundo das redes de Dani Mallo. Um excelente remate a confirmar a supremacia do FC Porto e a colocar justiça no marcador. Até ao apito final, pouco mais aconteceu tirando uma gestão eficaz do resultado por parte do FC Porto que permitiu a primeira vitória da época, num estádio onde o Porto já não vencia há 3 temporadas.

MVP:

Ricardo Quaresma-> O mágico extremo portista entrou no campeonato com o pé direito e deu dois pontapés numa fraca exibição colectiva da sua equipa. Mais uma vez, e à semelhança do que tem acontecido nas últimas épocas, o "cigano" decidiu o jogo e mostrou a todos que está mesmo de corpo e alma no FC Porto. Uma excelente exibição do 7 portista a "empurrar" a sua equipa para a conquista dos 3 pontos.

domingo, 12 de agosto de 2007

Presos à táctica

Pela segunda ocasião consecutiva a decisão da Supertaça Cândido de Oliveira foi remetida para a cidade de Leiria, apesar de o desfecho ter assumido contornos diametralmente opostos aos da época transacta. Campeão e vencedor da Taça encontraram-se no Magalhães Pessoa numa partida tacticamente cerrada, à qual a maior coesão dos Dragões não chegou para conferir o desenlace mais justo.

Quaresma não foi ontem capaz de brilhar ao nível do que dele seria expectável.


O motivo pelo qual a superioridade Portista não se estendeu ao resultado adveio do exagerado respeito devotado por Jesualdo ao adversário. O técnico transmontano temeu o Sporting, esquematizando a equipa numa tentativa primordial de travar o meio-campo leonino ao invés de assumir, como impunham estatuto e potencial, o jogo.
Tendo vindo a desenvolver uma fórmula de 4-3-3 relativamente clássica, o Campeão Nacional abjurou ontem os seus princípios, subtraindo Lisandro à ala direita para lhe atribuir funções primordiais de marcador directo de Miguel Veloso, o que constitui um erro crasso tanto por relativizar a inegável influência que o argentino representa para a manobra ofensiva da equipa, sobrecarregando Quaresma, como por vetar Bosingwa à estóica missão de abrir por si só caminho por todo o corredor direito face a diversos adversários.
Por outras palavras, o Futebol Clube do Porto foi exactamente aquilo que Jesualdo pretendia - dominador - mas, no reverso da medalha, incapaz de, exceptuando lances de bola parada, levar perigo à baliza contrária. Aproveitou o Sporting para, no único remate à baliza de Hélton, selar o destino do troféu.
Perder identidade de jogo por submissão ao meio-campo de um adversário que nos é inferior foi, definitivamente, o ponto mais negativo da noite, que ficou novamente manchada por uma decisão - ou falta dela - de um dos mais promissores àrbitros portugueses, incapaz de discernir mão de Tonel na àrea sportinguista apesar da sua posição priveligiada e desimpedida do lance.
Salvaram-se Jorge Fucile, em mais uma exibição de um crer inexcedível, e os fantásticos adeptos que golearam o Sporting fora das quatro linhas.
Jesualdo Ferreira tem agora duas provas de fogo não só à equipa como também à sua ambição enquanto treinador.

terça-feira, 7 de agosto de 2007

2007/08: Nova época, a mesma ambição.

Orfão do génio - Anderson é o adolescente mais caro da história do futebol - do patrão e do capitão, o Futebol Clube do Porto parte para a nova época com o peso de dois títulos consecutivos a defender. Jesualdo resistiu à desconfiança dos adeptos, tornando-se o primeiro após Mourinho a permanecer mais do que uma época ao leme dos Dragões, enquanto que os milhões não chegam para subtrair desde logo Lucho e Quaresma à fórmula resolvente das derradeiras temporadas.

Aos 37 anos, o mais vitorioso futebolista de todos-os-tempos abandona a modalidade a fim de se dedicar a uma carreira de gestão desportiva.


Inevitavelmente se sentiu o perverso efeito dos milhões que fazem a indústria do futebol proliferar. Com Pepe em Madrid e Anderson em Manchester, os Campeões Nacionais cuidam das feridas, recheando os cofres de euros e o plantel de caras novas, num esforço financeiro de monta visando a homogeneização do plantel, dotado agora de mais e melhores soluções para todos os sectores.
Com a mística em questão, cabe agora a Bruno Alves a ostentação da braçadeira e da camisola outrora envergada por João Pinto e Jorge Costa; secundam-no Lucho e Quaresma, figuras de proa do plantel que partem para a terceira e quarta épocas no clube, respectivamente.
É, ainda assim, com algumas indefinições que a nova temporada será abordada, havendo para delinear um par de dispensas e os intérpretes para o modelo que Jesualdo deverá transportar da época transacta, díspar que se encontra a preparação física dos atletas face a um defeso prejudicado pela Copa América.
Desculpas não serão, contudo, aceites. Após increver o seu nome em dois torneios de pré-época, o Futebol Clube do Porto abre as hostilidades frente ao Sporting no próximo sábado. Leiria testemunhará o primeiro embate oficial do ano, do qual os azuis-e-brancos deverão sair vencedores, assim prentendam ir de encontro às expectativas dos seus adeptos, cujos elevados padrões exigem incessante sucesso.